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IPCA desacelera em abril mas taxa em 12 meses avança em meio à cautela do BC

12 mai 2026 - 09h15
(atualizado às 10h25)
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A inflação brasileira ‌desacelerou em abril apesar dos impactos dos reajustes de medicamentos e de alimentos e combustíveis em meio à guerra no Oriente Médio, mas subiu ainda mais no acumulado em 12 meses em meio à cautela do Banco Central.

Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67%, de alta de 0,88% em março, mostraram os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa em pesquisa de ⁠Reuters era de avanço mensal de 0,69%.

O resultado levou a inflação acumulada em 12 meses a subir 4,39%, de ‌4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O Banco Central decidiu no final de abril cortar ‌a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a ‌14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente, ⁠mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de "calibração" da taxa e ressaltando o distanciamento da inflação corrente da meta.

Por trás da cautela do BC estão as incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação.

"Os dados corroboram a visão de que uma aceleração no ritmo de cortes (de juros pelo BC) é muito improvável. A resiliência de serviços limita o espaço para uma postura mais 'dovish'. O ‌cenário reforça a tese de um ciclo curto", avaliou Natalie Victal, economista-chefe da SulAmerica Investimentos.

FRETE

Em abril, as principais influências ‌vieram dos grupos alimentos e bebidas, com ⁠alta de 1,34%, de 1,56% ⁠em março, e saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,16%, de 0,42% no mês anterior. Juntos, os dois grupos responderam ⁠por 67% do IPCA.

A alimentação no domicílio avançou 1,64%, com altas ‌da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), ‌da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%).

"Tem problemas e restrições de oferta de produtos alimentícios, mas com a alta dos combustíveis (com a guerra) o frete fica mais caro, e isso afeta os preços dos alimentos", explicou o gerente do IPCA no IBGE, José Fernando Gonçalves.

"Fora a questão do frete, não vemos ⁠movimentos mais claros da guerra sobre os preços pagos pelos consumidores", completou.

Em saúde, os produtos farmacêuticos tiveram alta de 1,77%, após autorização do reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos a partir de 1° de abril.

Por sua vez, o subitem com maior impacto individual no IPCA foi a gasolina, cuja alta de preços desacelerou a 1,86%, de 4,59% em março, mesmo em meio à ‌guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que mantém a passagem de navios com petróleo pelo Estreito de Ormuz prejudicada.

Os combustíveis tiveram alta de 1,80% no mês, com óleo diesel subindo 4,46% e ⁠o etanol, 0,62%. O grupo Transportes avançou apenas 0,06% em abril, de 1,64% em março, diante ainda da queda de 14,45% no subitem passagem aérea.

Segundo Gonçalves, o impacto da alta da querosene de aviação diante da guerra deve aparecer mais para a frente, uma vez que o IBGE coletou os dados dos preços das passagens aéreas com 60 dias de antecedência.

A inflação de serviços caiu a 0,04% em abril, de 0,53% em março, atingindo em 12 meses 5,75%. Mas nas contas de André Valério, economista sênior do Inter, excluídas as passagens aéreas a inflação de serviços desacelerou de forma bem menos intensa, de 0,41% para 0,37%.

"O resultado do mês mantém a necessidade de cautela no Copom. Apesar da desaceleração, ainda vemos fatores que ensejam cuidado na condução da política monetária", disse ele.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em abril queda de 2 pontos percentuais, a 65%.

A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 4,91% em 2026, indo a 4,0% em 2027.

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