IPCA-15 registra primeira deflação mensal desde julho de 2023, puxada por energia e alimentos
No ano, o indicador acumula alta de 3,26%; em 12 meses, inflação acumulada é de 4,95%
RIO E SÃO PAULO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial no País, saiu de uma elevação de 0,33% em julho para uma deflação de 0,14% em agosto. O resultado, o mais baixo em três anos, significou a primeira deflação mensal no indicador desde julho de 2023, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entretanto, o recuo nos preços da economia em agosto foi menos intenso do que o previsto por analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que apontavam para uma deflação mediana de 0,21%. No ano, o IPCA-15 acumula uma alta de 3,26%. A taxa acumulada em 12 meses arrefeceu a 4,95% em agosto.
Para o economista-chefe da gestora G5 Partners, Luis Otávio de Sousa Leal, os dados de agosto do IPCA-15 foram um "choque de realidade" em parte do mercado financeiro, que estava ficando otimista com a desaceleração das expectativas de inflação divulgadas no Boletim Focus, do Banco Central.
Segundo ele, está claro que a inflação não caminha para o cenário "catastrófico" projetado no início do ano, mas uma convergência rápida à meta de inflação de 3,0% ainda parece também distante.
"Um bom motivo para não se animar muito com as perspectivas de um corte de juros ainda em 2025", apontou Leal, em nota.
Os números de agosto evidenciam que há uma perda de força da inflação no País, mas que esse processo se dará de forma irregular, avaliou o economista do ASA Leonardo Costa.
"Mantemos a expectativa de desaceleração gradual da inflação, mas este IPCA-15 evidencia que o arrefecimento é irregular, especialmente nos serviços, refletindo uma desaceleração ainda tímida da atividade doméstica e a resiliência do mercado de trabalho", escreveu Costa, em nota a clientes.
Em agosto, as famílias gastaram menos com quatro dos nove grupos de produtos e serviços que integram o IPCA-15: Alimentação e bebidas (-0,53%), Habitação (-1,13%), Transportes (-0,47%) e Comunicação (-0,17%). Os aumentos foram registrados em Educação (0,78%), Artigos de residência (0,03%), Saúde e cuidados pessoais (0,64%), Vestuário (0,17%) e Despesas Pessoais (1,09%).
A energia elétrica residencial caiu 4,93% em agosto, item de maior alívio no mês, uma contribuição de -0,20 ponto porcentual. O resultado é consequência da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de agosto.
As quedas nos preços da gasolina, automóvel novo e passagens aéreas ajudaram juntas a deter a inflação de agosto em -0,12 ponto porcentual. As passagens aéreas diminuíram 2,59%,o preço do automóvel novo encolheu 1,32%, e a gasolina ficou 1,14% mais barata.
O gasto das famílias brasileiras com alimentação e bebidas recuou em agosto pelo terceiro mês consecutivo. A alimentação no domicílio diminuiu 1,02%, com reduções na manga (-20,99%), batata-inglesa (-18,77%), cebola (-13,83%), tomate (-7,71%), arroz (-3,12%) e carnes (-0,94%). Já a alimentação fora de casa aumentou 0,71%: a refeição fora subiu 0,40%, e o lanche avançou 1,44%.
Na direção oposta, o maior vilão do orçamento no mês foi o subitem jogos de azar, que subiu 11,45%, devido ao reajuste feito em 9 de julho. Em saúde, houve pressão dos aumentos nos itens de higiene pessoal (1,07%) e no plano de saúde (0,51%).
Os gastos com educação foram impulsionados por aumentos nos cursos regulares (0,80%, puxados pelos subitens ensino superior e ensino fundamental), mas os cursos diversos também tiveram alta (0,93%, influenciados pelos cursos de idiomas).