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Instituições financeiras internacionais elogiam proposta, mas esperam economia menor

Analistas dos bancos Goldman Sachs, Deutsche Bank e JPMorgan acreditam que economia fiscal nos próximos 10 anos com a proposta possa ser 60% menor que o R$ 1,1 trilhão estimado pelo governo

20 fev 2019
17h49
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Analistas de instituições financeiras internacionais elogiaram o texto da reforma da Previdência, divulgado nesta quarta-feira, 20, pela equipe econômica. No entanto, eles acreditam que a economia obtida nos próximos 10 anos com a reformulação no sistema de aposentadorias no Brasil deva ser menor do que o R$ 1,1 trilhão que está previsto no projeto enviado ao Congresso pelo governo.

Goldman Sachs

Segundo o economista Alberto Ramos, diretor de pesquisas para a América Latina do banco americano Goldman Sachs, a proposta do governo para a reforma da Previdência é "muito boa" e tem como pontos altos a idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres e também o ataque ao desajuste fiscal no país no médio prazo.

"Do ponto de vista técnico, a proposta é excelente, mas é uma proposta. Vamos agora observar a articulação política do governo para sua aprovação, o que também depende do apoio dos congressistas e dos eleitores", apontou.

O cenário-base do banco é que o governo consiga aprovar uma reforma menor, com economia de R$ 500 bilhões a R$ 600 bilhões em dez anos.

Deutsche Bank

Já Drausio Giacomelli, diretor de pesquisas para mercados emergentes do Deutsche Bank, a aprovação da reforma é determinante para o futuro do País.

"Ou aprova a reforma ou acaba governo, pois sem ela a situação fiscal não é sustentável e o Poder Executivo não terá recursos anos a frente para destinar para outras áreas importantes, como Saúde, Educação e segurança", apontou. "Cerca de 70% dos legisladores no Congresso são favoráveis à reforma, os governadores e prefeitos também são favoráveis, pois do contrário terão dificuldades para ter acesso a verbas federais, e a proposta em si é boa. Há um concerto dos astros que é positivo. Falta agora agir para que ela ocorra."

De acordo com o executivo do Deutsche Bank, caso a reforma da Previdência aceita pelos parlamentares crie uma poupança entre R$ 600 bilhões e R$ 800 bilhões em 10 anos, será bem vista pelo mercado e deve acarretar e o dólar pode chegar a R$ 3,50, no melhor dos cenários.

JPMorgan

Os economistas do banco americano JPMorgan devem rever seu cenário-base, que previa a primeira votação na Câmara acontecendo já no segundo trimestre e a votação final no Senado no terceiro trimestre. A estimativa do banco, que também pode passar por reavaliação, é que o governo consiga aprovar um texto com uma economia fiscal de R$ 500 bilhões.

Capital Economics

Para a consultoria inglesa Capital Economics, a tramitação no Congresso deve ser demorada e o texto pode ser desidratado. Na avaliação de seu economista-chefe para mercados emergentes, William Jackson, a avaliação neste momento é que o texto final terá economia fiscal de 50% a 60% menor do que o R$ 1,1 trilhão das medidas anunciadas nesta quarta-feira.

Caso seja aprovado um texto com essa economia fiscal mais modesta, Jackson prevê que a dívida pública do Brasil vai seguir em alta, mas de forma mais lenta, alcançando 110% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. Sem nenhuma reforma, a dívida superaria 140% do PIB na próxima década, um "ritmo insustentável", segundo o economista.

"A proposta apenas marca o ponto de partida para as negociações", ressalta o economista, destacando que historicamente no Brasil os parlamentares costumam apresentar resistência a reformas da Previdência.

Estadão
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