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Indústria brasileira reage, mas incerteza e juros ainda pesam

Com muita gastança, pouco planejamento e pouca disciplina orçamentária, os três Poderes contribuem para atrapalhar a vida financeira, desarranjar os preços e dificultar a condução dos negócios

3 dez 2025 - 09h42
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Maior do mundo emergente, a indústria brasileira produziu em outubro 0,1% mais que em setembro e acumulou avanço de 0,9% em 12 meses. Em dezembro, deverá completar mais um ano de crescimento modesto. Em sete dos 14 anos contados entre 2011 e 2024, o balanço da produção industrial foi negativo. O resultado geral do período mostra claramente o desempenho irregular. No terceiro trimestre do ano passado o volume produzido foi 14,8% inferior ao obtido em maio de 2011, pico da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Crescimento medíocre é facilmente associável a baixo investimento em capacidade produtiva. Os últimos dados da indústria de bens de capital, isto é, de máquinas e equipamentos, mostram uma produção 29% menor que a de setembro de 2013, ponto mais alto da evolução histórica. Não só o setor industrial tem investido modestamente. Outros segmentos da economia, incluído o setor público, também têm falhado no investimento produtivo. Quanto a esse ponto, a indústria reflete com clareza o quadro geral do País. Crédito caro é parte da explicação. Mas é preciso levar em conta a insegurança na construção de cenários de médio e de longo prazos.

Indústria brasileira acumula avanço de 0,9% em 12 meses, aponta IBGE
Indústria brasileira acumula avanço de 0,9% em 12 meses, aponta IBGE
Foto: Patrick Madeira/Estadão / Estadão

As políticas desenhadas e conduzidas em Brasília são importantes fatores de insegurança. Com muita gastança, pouco planejamento e pouca disciplina orçamentária, os três Poderes contribuem para atrapalhar a vida financeira, desarranjar os preços e dificultar a condução dos negócios. Também as complicações burocráticas, apesar de algum esforço reformista, atrapalham a atividade produtiva e reduzem a produtividade geral da economia.

Inflação elevada tem sido, por muitos anos, uma das consequências mais evidentes — e mais danosas — dos desacertos financeiros do setor público e da insegurança das políticas oficiais. Apesar de algum arrefecimento recente, a alta de preços continua batendo no teto da meta e distante do objetivo central, fixado em 3% para períodos de 12 meses.

O Banco Central (BC) deixou clara a disposição de manter juros básicos de 15% até o fim do ano. Qualquer alívio dessa política só deve ocorrer a partir do próximo ano e de modo muito cauteloso, segundo os dirigentes da entidade. Se depender de juros mais baixos, a dinamização da economia deverá, portanto, ocorrer lentamente. Sinais claros e confiáveis de uma gestão mais cautelosa das finanças federais poderiam facilitar o afrouxamento da política monetária pelo BC. A dinamização da indústria seria um dos efeitos mais benéficos.

Estadão
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