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Ignorado por líderes do setor, segmento de motos elétricas é disputado pelas startups

A Multilaser, conhecida pelos eletroeletrônicos, adquiriu a startup Watts em março, por R$ 10,5 milhões

29 mai 2022 05h10
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Enquanto as tradicionais líderes do setor ainda engatinham na eletrificação - a Honda só planeja lançar esse produto no País em 2024, e a Yamaha apenas anunciou sua entrada no segmento de scooters elétricas -, o setor está ganhando a atenção de startups, incluindo algumas que são apoiadas por negócios tradicionais.

De olho nessa tendência, a fabricante de eletroeletrônicos Multilaser fechou um acordo de aquisição da novata Watts, por R$ 10,5 milhões, em março. Com 22 concessionárias espalhadas pelas cinco regiões do País, a Watts é focada em veículos elétricos, como scooters e patinetes.

Mas a empresa já está indo além. Sua primeira motocicleta, chamada W125, é equivalente a um veículo de 125 cilindradas a combustão. Com autonomia de até 110 km e cinco horas de tempo total de recarga da bateria, a E-125 atinge até 100 km/h e tem preço de tabela a partir de R$ 20 mil.

"Queremos trazer a realidade mundial da mobilidade elétrica para o Brasil. Muito se fala sobre carro elétrico, mas há uma oportunidade nos veículos mais leves", afirma Rodrigo Gomes, diretor comercial e cofundador da Watts.

Para crescer, a companhia vai apostar nas vendas para consumidores, empresas e governos. "Somos entusiastas da mobilidade elétrica. Na Ásia, vemos essa tendência urbana oferecendo praticidade às pessoas e reduzindo a emissão de gases poluentes no meio ambiente", diz André Poroger, vice-presidente de produtos da Multilaser.

'Virada verde'

Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no ano passado foram vendidos 1.424 veículos elétricos de duas rodas, entre motocicletas, scooters e triciclos - salto de 56% na comparação com 2020. Apesar de crescente, a parcela é apenas uma fração do mercado. Mais de 1,1 milhão de motocicletas foram vendidas no País em 2021.

Em dez anos, de 2010 para 2020, as motocicletas movidas a gasolina e etanol passaram de uma média de emissão de CO2 de 61 gramas por quilômetro rodado para 46 gramas, uma queda de 32,6%, de acordo com dados da Promot, programa de controle da poluição do ar do segmento. Considerando os dados de 2003 a 2020, a redução de emissões de CO2 das motocicletas no País chega a 57,3%.

Apesar do avanço, as motocicletas elétricas estão mais alinhadas à agenda de sustentabilidade das empresas, pois a emissão de poluentes por esses modelos é zero.

Estadão
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