Ibovespa tem queda discreta em dia de vencimentos e balanços; Embraer atenua perda
O Ibovespa fechou com uma queda modesta nesta quarta-feira, com Embraer atenuando a perda, enquanto o ânimo no pregão paulista segue fragilizado por preocupações com o quadro macroeconômico no Brasil, além de incertezas eleitorais e geopolíticas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,23%, a 167.491,07 pontos, marcando o sétimo fechamento seguido com sinal negativo.
O Ibovespa chegou a retomar o patamar dos 168 mil pontos no melhor momento, alcançando 168.309,55 pontos, mas o movimento não se sustentou. Na mínima, marcou 167.141,82 pontos.
O volume financeiro somou R$52,8 bilhões antes dos ajustes finais, em dia ainda marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa e do contrato futuro do índice, além da repercussão de resultados corporativos.
Na terça-feira, o Ibovespa caiu 2,5%, a 167.874,64 pontos, menor fechamento desde 20 de janeiro. Nessas sete sessões negativas, acumulou perda de 5,9%, ficando ainda mais distante dos recordes de abril, quando superou 199 mil pontos no intradia.
A piora tem sido determinada principalmente pela saída de estrangeiros da bolsa, com o saldo no ano positivo em pouco mais de R$29 bilhões até o último dia 10. Em meados de abril, porém, eram quase R$68 bilhões.
Apenas em agosto, de acordo com os dados da B3, houve saída líquida de R$7,2 bilhões.
No pano de fundo da correção, estão preocupações sobre o ritmo da atividade econômica do país em meio a perspectivas de manutenção das taxas de juros em níveis elevados, tendo uma eleição no horizonte e um ambiente externo menos favorável.
Nesta quarta-feira, dados nos Estados Unidos mostraram uma inflação em linha com as expectativas em julho, mas acelerando em relação ao mês anterior.
Os preços do petróleo fecharam quase estáveis nesta sessão, mas as dúvidas envolvendo a normalização do crucial Estreito de Ormuz diante do impasse nas negociações entre EUA e Irã continuam pesando no apetite a risco de investidores.
DESTAQUES
• EMBRAER ON subiu 4%, conforme segue a visão construtiva para a fabricante de aviões, que divulgou no começo da semana um lucro acima das expectativas e revisou para cima previsões de margem operacional e fluxo de caixa para 2026. Em agosto, os papéis já acumulam valorização de 10,69%.
• VALE ON avançou 0,74%, acompanhando o movimento externo do setor, em sessão de variação modesta dos futuros do minério de ferro na China.
• PETROBRAS PN recuou 0,5%, registrando a terceira queda em quatro pregões, desde a divulgação do balanço e a sinalização da administração da estatal de que é muito pouco provável que pague dividendo extraordinário neste ano. No exterior, o barril sob o contrato Brent terminou com variação positiva de 0,08%.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,46%, com a maior parte dos bancos do Ibovespa fechando no vermelho. BANCO DO BRASIL ON, que reporta seu desempenho do segundo trimestre após o fechamento, recuou 1,45%.
• DIRECIONAL ON perdeu 4,72%, após o balanço divulgado na véspera, que mostrou lucro líquido de R$202 milhões no segundo trimestre. O presidente-executivo afirmou a analistas que vê normalização da demanda após a queda provocada pela Copa. No setor, CURY ON cedeu 2%, tendo também como pano de fundo o lucro líquido de R$311 milhões no segundo trimestre, crescimento de 16,5% sobre o resultado do mesmo período do ano passado.
• TAESA UNIT caiu 1,57%, reduzindo as perdas desde a abertura, com investidores analisando o resultado do segundo trimestre, quando a transmissora de energia registrou lucro líquido regulatório de R$206,8 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 28,5% na comparação anual. O conselho de administração também aprovou a distribuição de R$123,8 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) e R$82,9 milhões em dividendos intercalares.
• B3 ON encerrou em baixa de 0,35%, tendo trocado de sinal algumas vezes no dia, após o balanço na véspera mostrar lucro líquido recorrente de R$1,4 bilhão no segundo trimestre, praticamente em linha com as expectativas. A receita líquida somou R$2,8 bilhões, alta de 8,8%, enquanto as despesas somaram R$975,6 milhões, aumento de 15,5% na base anual. O CFO afirmou em teleconferência sobre o resultado que vê tendência positiva nos volumes por causa da eleição.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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