Ibovespa recua pressionado por Petrobras e Vale
O Ibovespa recuava nesta segunda-feira, descolado do viés positivo em Wall Street, pressionado principalmente pelas ações de Petrobras e de Vale em pregão com queda dos preços do petróleo e do minério de ferro no exterior.
Por volta de 11h20, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,55%, a 176.311,85 pontos. O volume financeiro somava R$4,7 bilhões.
O viés negativo que tem prevalecido na bolsa paulista desde meados de abril, quando o Ibovespa renovou suas marcas históricas e alimentou expectativas de bater a marca inédita de 200 mil pontos. Desde então, acumula um declínio de mais de 11%.
Tal movimento tem como pano de fundo o fluxo negativo de estrangeiros, com maio registrando saída líquida de quase R$3,9 bilhões até o dia 14, conforme dados da B3, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões - mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões.
De acordo com a análise gráfica semanal do Ibovespa da equipe do BB Investimentos, a tendência de baixa de curto prazo do Ibovespa se intensificou na última semana.
"Na leitura semanal, a bolsa testou um suporte em torno dos 175 mil pontos, que representa o objetivo imediato mais relevante. Abaixo desse nível, em função do forte desempenho de janeiro, os próximos objetivos de baixa encontram-se abaixo dos 170 mil pontos", afirmaram os analistas em nota a clientes.
Nesta sessão, a agenda macro local também ocupa as atenções, com números mais fracos do que o esperado sobre a atividade econômica do país em março, conforme o IBC-Br, enquanto a pesquisa Focus mostrou aumento nas previsões para a Selic no final do ano.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, tinha acréscimo de 0,24%, após ajuste na sexta-feira, depois de renovar suas máximas históricas nos últimos pregões.
No noticiário geopolítico, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar neste domingo o Irã com consequências caso seus líderes não ajam rapidamente, a agência de notícias iraniana semi-oficial Tasnim informou que os EUA concordaram em suspender as sanções sobre as exportações de petróleo de Teerã durante o período de negociação.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN recuava 1,17% e PETROBRAS ON caía 1,41%, em dia de declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent cedia 0,52%, a US$108,69.
• VALE ON perdia 1,04%, também tendo como pano de fundo o recuo dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian (DCE) encerrou as negociações do dia com queda de 1,11%.
• ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,55%, com bancos do Ibovespa como um todo com sinal negativo. BRADESCO PN caía 0,23%, BANCO DO BRASIL ON recuava 1,01% e SANTANDER BRASIL UNIT cedia 0,26%.
• BRASKEM PNA caía 3,85%, em pregão de correção, após disparar quase 36% na semana passada, com um salto de 29% apenas no dia 12 com "upgrade" do JPMorgan e movimentos de "short squeeze".
• COPASA ON subia 3,29%, também refletindo ajustes, depois de perder 5% na semana passada.
• COSAN ON avançava 2,04%, após declínio de mais de 14% na última semana, sendo que apenas na sexta-feira fechou em baixa de mais de 5%. O presidente do grupo, Marcelo Martins, afirmou na sexta-feira que a holding deve ser dissolvida, em processo que pode começar em 2027. Os acionistas da Cosan deverão então receber participações nas empresas investidas.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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