Ibovespa recua com incertezas sobre Oriente Médio; Santander Brasil e B3 ocupam holofote
O sinal negativo prevalecia na bolsa paulista nesta sexta-feira, com o conflito no Oriente Médio endossando cautela antes do fim de semana, enquanto o noticiário corporativo doméstico destacava anúncio de mudanças no comando do Santander Brasil e da B3.
Por volta de 11h35, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 1,82%, a 176.989,9 pontos, acumulando uma queda de 0,37% na semana, que se confirmada significará a quarta perda semanal consecutiva.
O volume financeiro no dia somava R$10,4 bilhões, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre ações na B3.
Wall Street também encerrava a semana com tom negativo, com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que fez o petróleo disparar, provocando fortes ajustes em apostas sobre cortes de juros pelo Federal Reserve.
Operadores de contratos de juros de curto prazo precificavam nesta sexta-feira uma chance acima de 50% de o Fed elevar a taxa em dezembro, uma mudança drástica em relação às expectativas do início desta semana de um corte.
Nesta semana, Fed manteve o juro na faixa de 3,50% a 3,75% e projetou inflação mais alta, desemprego estável e um único corte nos juros no ano, enquanto o chair Jerome Powell reiterou a incerteza que a guerra cria para as perspectivas econômicas.
O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, cedia 0,82%, em pregão também marcado por vencimentos de opções e futuros em Nova York. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 4,3796%.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, disse nesta sexta-feira que não vê um fim óbvio para o conflito no Oriente Médio no curto prazo. A fala ocorreu após ele se reunir com o colega israelense Gideon Saar em Tel Aviv.
Apesar das perdas recentes do Ibovespa, dados da B3 ainda mostram entrada líquida de estrangeiros na bolsa em março -- de quase R$4,6 bilhões até o dia 17. Em fevereiro, houve saldo positivo de R$15,4 bilhões. Em janeiro, de R$26,3 bilhões.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN recuava 2,31%, em sessão bastante negativa no setor, com BRAVA ON perdendo 5,09%, PETRORECONCAVO ON caindo 5,51% e PRIO ON cedendo 1,19%. No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent mostrava declínio de 0,29%, a US$108,33. Na véspera, a ANP disse que notificará Petrobras para ofertar "imediatamente" volumes de diesel e gasolina de leilões cancelados nesta semana.
- SANTANDER BRASIL UNIT perdia 2,67%, em pregão negativo no setor, com agentes financeiros também repercutindo a decisão do presidente-executivo do banco, Mário Leão, de deixar o cargo. Ele ficará até julho, quando o novo CEO, Gilson Finkelsztain, atualmente comandando a B3, assumirá a função. ITAÚ UNIBANCO PN cedia 1,52%, BRADESCO PN caía 1,45%, BANCO DO BRASIL ON recuava 0,68% e BTG PACTUAL UNIT registrava queda de 2,74%.
- B3 ON recuava 3,07%, no primeiro pregão após o grupo anunciar que o presidente-executivo da companhia, Gilson Finkelsztain, sairá no final do primeiro semestre. O executivo será o novo presidente do Santander Brasil, conforme anunciado pelo banco também na véspera. A B3 disse que informará oportunamente o nome do sucessor, uma vez concluído o processo em curso, afirmou a companhia.
- VALE ON perdia 0,99%, sucumbindo à correção negativa, mesmo com o avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian subiu 1,05%.
- MBRF ON recuava 4,98%, um dia após a empresa afirmar que ampliou seus estoques de grãos para lidar com surpresas climáticas e eventual alta de preço das matérias-primas relacionada à guerra no Irã. No setor, MINERVA ON perdia 1,56%. Na véspera, sob efeito da repercussão dos respectivos balanços, os papéis da MBRF subiram 0,18% e as ações da Minerva caíram 10,7%.
- CYRELA ON perdia 4,21%, mesmo após resultado acima das expectativas no quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 682 milhões e receita líquida de R$3,2 bilhões. A companhia, porém, divulgou queima de caixa de R$38 milhões, enquanto, na base trimestral, houve queda na margem bruta. A companhia também firmou acordo para potencial aquisição de participação em controlada da Helbor, que inclui a compra de Cepacs. HELBOR ON, que não está no Ibovespa, cedia 0,38%.
- HAPVIDA ON caía 1,91%, retomando a tendência negativa após forte volatilidade na véspera, quando a ação chegou a recuar quase 15% nos primeiros negócios antes de fechar com um salto também de quase 15%, em meio à repercussão do balanço no último trimestre do ano passado e sinalizações sobre o começo de 2026. Para analistas do Citi, a Hapvida está nos "estágios iniciais de um processo de 'turnaround' complexo -- e certamente não existem 'soluções da noite para o dia'".
- CEMIG PN avançava 2,63%, entre as poucas altas da sessão, após reportar lucro líquido de R$1,88 bilhão no quarto trimestre de 2025, aumento de 88% sobre o desempenho de um ano antes. A companhia citou um efeito positivo de R$788,1 milhões no lucro, decorrente do acordo para encerramento da obrigação pós-emprego do plano de saúde e do plano odontológico. A receita líquida do quarto trimestre cresceu 2,9%.