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Ibovespa fecha em queda com tombo de 4% da Vale e ajuste antes de eleição

22 out 2026 - 17h09
(atualizado às 17h44)
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Resumo
O Ibovespa caiu 1,15%, aos 204.120 pontos, pressionado pela aversão ao risco no exterior e por ajustes antes do segundo turno presidencial, marcado pelo equilíbrio nas pesquisas e incertezas fiscais. O recuo de quase 4% da Vale e as perdas no setor de siderurgia e no setor financeiro pesaram sobre o índice, que movimentou R$ 39,45 bilhões. A Petrobras fechou quase estável apesar do salto do petróleo, enquanto Wall Street e Europa também recuaram diante de tensões geopolíticas e no setor tech.

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, quase perdendo ‌o patamar dos 203 mil pontos no pior momento, contaminado pelo viés negativo em praças acionárias no exterior e ajustes antes do desfecho da disputa presidencial no Brasil no domingo. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,15%, a 204.120,21 pontos, mas chegou a 203.051,87 na mínima do dia. No melhor momento, marcou 206.493,11 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$39,45 bilhões.

A bolsa paulista encerrou os negócios com agentes financeiros na expectativa de nova pesquisa Datafolha, prevista ⁠para as 19h, em meio a um cenário ainda acirrado para o segundo turno da eleição para o Palácio do ‌Planalto.

Na véspera, pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de votos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 44%.

Desde o recorde intradia registrado no último dia 9 (209.713,45 pontos), ‌ainda sob efeito do entusiasmo com o resultado do primeiro turno no ‌dia 4, com Flávio à frente de Lula, o Ibovespa acumula um declínio de 2,67%. Em outubro, ainda ⁠sobe 9,54%. 

"A impressão é que, no geral, o mercado está indo 'mais leve' para o segundo turno do que foi no primeiro", afirmou um gestor. "As pesquisas que o mercado mais olha estão mostrando um cenário bem apertado."

Estrangeiros têm sido um relevante suporte para as ações brasileiras no mês, com entrada líquida de R$20 bilhões até o dia 20. 

No cenário externo, o índice acionário norte-americano S&P 500 terminou com declínio de 1,21%, com apreensões envolvendo inteligência artificial e o avanço do petróleo. ‌O europeu STOXX 600 fechou em queda de 1,01%.

Na visão do especialista de investimentos Josias Bento, sócio da GT Capital, a ‌bolsa paulista refletiu uma combinação de ⁠tensão eleitoral pré-segundo turno, com os ⁠candidatos muito próximos nas pesquisas, e uma aversão ao risco no mercado internacional.

Em relação ao cenário doméstico, ele chamou atenção especial ao ⁠fato de que "os candidatos até agora não mostraram ou falaram de ‌um plano de contingência para controlar as ‌contas públicas, que é uma das principais agendas para 2027". 

DESTAQUES

• VALE ON recuou 3,97%, acompanhando o viés negativo de mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) caiu 1,62%, para 669 iuanes (US$100,23) por tonelada. No setor de mineração e siderurgia no Brasil, CSN ⁠ON perdeu 5,43%, USIMINAS PNA fechou em queda de 4,81% e GERDAU PN cedeu 3,92%. Números divulgados pela Inda também mostraram que, em setembro, os distribuidores de aços planos, que costumam ser responsáveis por cerca de um terço das vendas das usinas siderúrgicas nacionais, tiveram queda de 7,2% na comercialização sobre um ano antes.

• PETROBRAS PN fechou com acréscimo de 0,14%, apesar da forte alta dos preços do petróleo no ‌exterior, onde o barril do Brent terminou com elevação de 4%, a US$113,17, em meio a uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. No setor, PRIO ON avançou 1,85% e BRAVA ON subiu 0,24%, enquanto PETRORECONCAVO ON, ⁠que não faz parte do Ibovespa, recuou 1,29%.

• BRADESCO PN cedeu 2,08%, tendo no radar a divulgação do balanço do terceiro trimestre após o fechamento do mercado. Estimativas compiladas pela LSEG apontam lucro líquido de R$7,1 bilhões. No setor,  BTG PACTUAL UNIT recuou 1,37%, SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 1,35%, ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,84% e BANCO DO BRASIL ON fechou em baixa de 0,75%.

• MBRF ON caiu 2,71%, com investidores ainda especulando potenciais reflexos da ocorrência de foco da doença de Newcastle em estabelecimento de criação comercial de perus da empresa em Nova Itaberaba, Santa Catarina. Na véspera, a companhia disse que "entende que eventuais impactos decorrentes da ocorrência sobre suas operações, situação econômico-financeira ou resultados, se houver, não serão materiais". No setor, JBS, que é listada nos Estados Unidos, encerrou com declínio de 0,80%.

• BRADSAÚDE ON, que não faz parte do Ibovespa, avançou 4,22%, após reportar lucro líquido de R$1,1 bilhão no terceiro trimestre, avanço de 14,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia vinculada ao grupo Bradesco também anunciou que vai distribuir dividendos intercalares de R$1 bilhão, equivalente a R$0,34 por ação em circulação.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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