Ibovespa fecha em queda com cena corporativa em foco; Petrobras PN cai 3%
O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta sexta-feira, com o Ibovespa fechando na mínima em um mês, em meio à repercussão de uma nova bateria de resultados corporativos, com Petrobras entre as maiores pressões, mesmo após um dos maiores lucros trimestrais da sua história.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,73%, para 172.513,42 pontos, chegando a 172.131,20 na mínima do dia. No melhor momento, nos primeiros negócios, avançou a 176.116,84 pontos.
Na semana, o Ibovespa acumulou uma perda de 3,08%.
Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, houve um combo de notícias locais que acabaram pesando no Ibovespa.
Do lado corporativo, ele destacou a indicação da Petrobras de que é muito improvável o pagamento de dividendos extraordinários neste ano, enquanto os resultados de Lojas Renner e Magalu foram bem ruins, contaminando o setor. Em paralelo, acrescentou, há a pressão oriunda do quadro fiscal do país e expectativa sobre a eleição.
"Tudo isso afasta ainda mais o estrangeiro, que não vê nenhum gatilho no curto prazo para manter recurso na bolsa brasileira", afirmou. "Hoje, me pareceu um pouco um cenário de 'jogando a toalha'", acrescentou, citando a forte queda de ações blue chips como Itaú, além da Petrobras.
"O mercado local está muito barato ainda, isso justifica o movimento mais lateralizado das últimas semanas/meses, mas conforme a sensação de piora dos fundamentos da economia aumenta, pode cair mais", avaliou.
"Os últimos dados de atividade econômica mostram uma desaceleração, inadimplência alta, dívida do país subindo. Sem um choque nas expectativas, fica difícil mudar a tendência", acrescentou Pedroso.
Investidores também analisaram dados do mercado de trabalho norte-americano, que registrou o fechamento de 23 mil postos no mês passado, ante previsão de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego caiu de 4,2% em junho para 4,1% em julho.
Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,62%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA recuava a 4,6433% no final da tarde, de 4,6882% na véspera.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN caiu 2,99% e PETROBRAS ON cedeu 3,42%, abandonando o sinal positivo da abertura, mesmo após divulgar na véspera lucro líquido de R$52,4 bilhões entre abril e junho, o terceiro maior lucro líquido trimestral de sua história, impulsionado pelo aumento da produção, pelas maiores exportações de petróleo e pela forte alta dos preços internacionais da commodity. O CFO da estatal afirmou nesta sexta-feira que é muito pouco provável que se pague dividendos extraordinários este ano. No exterior, o barril do petróleo Brent fechou em alta de 1,29%.
• ITAÚ UNIBANCO PN recuou 2,58%, com a maioria das ações de bancos do Ibovespa com sinal negativo nesta sexta-feira. Dados do Banco Central mostraram que a caderneta de poupança no Brasil registrou em julho retiradas líquidas de R$7,153 bilhões, maior volume de saques desde março. Na visão de analistas do Citi, as tendências de endividamento das pessoas físicas continuam preocupantes. No setor, BRADESCO PN recuou 2,2%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,08% e BTG PACTUAL UNIT caiu 4,07%. SANTANDER BRASIL UNIT ficou estável.
• VALE ON encerrou em baixa de 0,56%, contaminada pelo viés vendedor na bolsa, após avançar quase 1% na máxima do dia, em pregão marcado pela alta dos preços do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian encerrou a sessão em alta de 0,35%.
• LOJAS RENNER ON desabou 8,09%, após a varejista cortar previsão de vendas para o ano, depois de um segundo trimestre mais fraco do que o planejado, com redução do fluxo de clientes nas lojas físicas durante a Copa do Mundo em intensidade superior à observada historicamente, bem como efeitos de um cenário macroeconômico mais desafiador. No pior momento, caiu mais de 15%. A companhia aposta em novas lojas e base fraca de comparação para acelerar as vendas no segundo semestre, com expectativa de margem bruta estável.
• MAGAZINE LUIZA ON perdeu 3,72%, tendo como pano de fundo um prejuízo de R$50,4 milhões no segundo trimestre, revertendo resultado positivo registrado um ano antes, com queda em receita.
• ASSAÍ ON caiu 2,94%, após o balanço do segundo trimestre mostrar um resultado pressionado pelo ambiente de consumo ainda desafiador, com a receita líquida crescendo apenas 0,9%.
• FLEURY ON disparou 9,73%, refletindo a repercussão positiva do balanço robusto do segundo trimestre, que mostrou lucro líquido de R$221,9 milhões no segundo trimestre, alta de 45,7% em relação ao mesmo período do ano passado, acima das previsões no mercado. Na teleconferência de resultados nesta sexta-feira, a administração também apresentou uma perspectiva otimista para o segundo semestre, de acordo com analistas do Citi.
• ALPARGATAS PN, que não faz parte do Ibovespa, saltou 10,36%, tocando uma máxima intradia em cinco meses, após a dona da marca Havaianas quase dobrar o lucro no segundo trimestre, com expansão de receita e melhora em margens.
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