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Ibovespa fecha em alta em dia de recuperação com apoio do cenário externo

20 mai 2026 - 17h48
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O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, ultrapassando os 178 mil pontos no ‌melhor momento, em pregão de recuperação na bolsa paulista, endossada pelo cenário externo favorável.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,77%, a 177.355,73 pontos, após renovar na véspera mínimas desde janeiro. Na máxima do dia, chegou a 178.198,87 pontos. Na mínima, a 174.279,39 pontos. O volume financeiro somou R$28,45 bilhões.

Em Wall Street, o S&P 500 retomou a tendência de alta após três quedas seguidas e fechou em alta de mais de 1%, em meio a expectativas otimistas para o resultado da Nvidia, que após o fechamento divulgou lucro líquido de US$58,3 bilhões para o primeiro trimestre e estimou receita de US$91 ⁠bilhões para o segundo trimestre, acima das expectativas de analistas.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, por sua vez, mostraram alívio, com o yield do ‌Treasury de 10 anos cedendo a 4,5755% no final do dia. 

O apetite a risco, que ajudou o Ibovespa, encontrou apoio no recuo dos preços do petróleo no mercado internacional, em meio a notícias sobre continuidade nas negociações entre EUA e Irã, que alimentaram expectativas sobre o fim do conflito no Oriente ‌Médio. 

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os EUA estavam dispostos a esperar alguns dias ‌pela "resposta certa" do Irã, enquanto Teerã afirmou que a troca de mensagens com os EUA continua com a mediação paquistanesa e que busca estabelecer ⁠um mecanismo com Omã para garantir a segurança sustentável no Estreito de Ormuz.

Mas a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, quando os juros foram mantidos na faixa de 3,50% a 3,75%, mostrou que as preocupações sobre a inflação que está sendo alimentada pela guerra do Irã se intensificaram no mês passado. De acordo com o documento do encontro de abril, o último presidido por Jerome Powell, um número cada vez maior de autoridades do banco central norte-americano avalia que o Fed deveria preparar terreno para um possível aumento de juros. 

Na visão do estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, Kevin Warsh assumirá ‌o comando do Federal Reserve em um momento desafiador, com um banco central bastante dividido e um cenário com muitas incertezas.

"Embora o presidente Donald Trump tenha indicado ‌Warsh com a expectativa de cortes de juros, ⁠as atas mostram que a inflação acelerada ⁠pela guerra no Irã mudou o cenário: os preços da energia elevaram a inflação geral acima de 3% e até a inflação núcleo está subindo. Com isso, o mercado ⁠agora precifica maior probabilidade de alta de juros no final de 2026 ou início de ‌2027, contrariando a expectativa inicial da nova administração", ‌afirmou em relatório a clientes.

"O principal desafio de Warsh será convencer seus colegas de que os ganhos de produtividade impulsionados pela inteligência artificial terão efeito desinflacionário forte o suficiente para compensar o choque temporário dos preços de energia. Nos próximos meses, Warsh precisará equilibrar a pressão política por afrouxamento com os dados econômicos, em um Fed dividido e com Powell ainda presente no conselho", acrescentou.

DESTAQUES

• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 2,29%, em dia ⁠de forte recuperação dos bancos, com BRADESCO PN fechando em alta de 2,7%, BANCO DO BRASIL ON subindo 2,32% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizando-se 2,62%. Apesar da melhora, ainda acumulam quedas de 8,11%, 7,46%, 6,80% e 5,48%, respectivamente, em maio.

• VALE ON  terminou com elevação de 1,21%, endossada pela melhora dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou com acréscimo de 0,19%. No setor, CSN MINERAÇÃO ON disparou 10,29%, tendo também como pano de fundo novo programa de recompra de ações da companhia.

• PETROBRAS PN cedeu 3,23% e PETROBRAS ON perdeu ‌3,85%, em sessão com queda do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent encerrou a sessão com declínio de 5,63%, a US$105,02.

• B3 ON valorizou-se 5,66%, também recuperando-se da perda expressiva da véspera (-4,96%) quando a companhia anunciou o novo presidente-executivo. No mês, ainda contabiliza uma perda de ⁠quase 7%.

• AZZAS 2154 ON subiu 4,37%, em movimento referendado pelo alívio nas taxas dos DIs, que favoreceu o setor como um todo. O índice de consumo na B3 avançou 4,03%. A companhia divulgou na noite da véspera que contratou o Itaú BBA como assessor financeiro para a avaliação de diversas oportunidades estratégicas, em um momento de escalada na tensão entre os principais sócios da companhia.

• CURY ON fechou em alta de 8,53%, com ações de construtoras também encontrando apoio na queda das taxas futuras de juros. O índice do setor imobiliário, que inclui papéis de empresas de shopping centers, subiu 4,43%.

• SLC AGRÍCOLA ON caiu 1,61%, no segundo pregão seguido de queda. Analistas do Bank of America cortaram o preço-alvo dos papéis de R$20 para R$19 e reiteraram recomendação neutra. Em relatório a clientes com data da véspera, eles citaram que os principais riscos envolvendo a companhia permanecem relacionados aos custos de insumos e às produtividades de 26/27, especialmente fertilizantes nitrogenados e a incerteza associada a um possível El Niño.

• CASAS BAHIA ON disparou 23,81%, a R$1,56, melhor desempenho do índice Small Caps, em sessão de ajustes, após fechar com sinal negativo em 11 dos 12 pregões de maio até a véspera, acumulando no período uma perda de quase 53%.

• ESTRELA PN, que não está no Ibovespa, desabou 33,48%, após a fabricante de brinquedos pedir recuperação judicial, citando necessidade de reestruturação do passivo do grupo, em um contexto de pressões econômicas e setoriais relevantes.

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