Hidrelétrica de Belo Monte tem vazão mínima reduzida por risco de seca com El Niño
A usina de Belo Monte passará a operar com vazão mínima reduzida, em iniciativa que visa preservar a operação de uma das maiores hidrelétricas do país diante da expectativa de uma estiagem mais forte na bacia do rio Xingu por causa do fenômeno climático El Niño.
A medida, de caráter extraordinário e temporário, foi aprovada pela diretoria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União (DOU).
Segundo a ANA, simulações apresentadas pela Norte Energia, concessionária de Belo Monte, apontam que "manter a vazão mínima de 300 m³/s no cenário projetado provocaria um rebaixamento acentuado do nível do Reservatório do Rio Xingu, com risco para o funcionamento do sistema de transposição de peixes, para a geração de energia e para a navegação na região".
"Sem a flexibilização, o reservatório poderia atingir sua cota mínima operacional já no início de setembro", disse a agência reguladora.
Com isso, foi autorizada a redução da vazão mínima de 300 m³/s para até 100 m³/s, até 30 de novembro, durante o período mais crítico da estiagem amazônica.
Antes de atingir os 100 m³/s, haverá uma fase de testes operacionais com vazões intermediárias de 250 m³/s, 200 m³/s e 150 m³/s, conforme estabelecido pelo Ibama.
Instalada no sudoeste do Pará, Belo Monte tem 11,2 gigawatts (GW) de capacidade instalada, o que a coloca como a segunda maior usina do Brasil, atrás apenas de Itaipu Binacional. A usina opera a "fio d'água", sem reservatório de acumulação, estando sujeita às variações sazonais de vazão do rio Xingu.
A mesma medida de flexibilização da vazão mínima de Belo Monte foi autorizada em 2024, também em função de uma seca severa no Xingu.
Segundo a ANA, de janeiro a julho deste ano, o volume de chuvas acumulado na bacia do Xingu ficou em 89% da média histórica para o período, e as vazões naturais já estão abaixo dos valores usados como referência para a outorga da usina de Belo Monte.
Além do Xingu, outros rios da região amazônica têm registrado queda "preocupante" dos níveis no último mês, alertou um diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta semana.
"A flexibilização não altera o atendimento às vazões destinadas ao Trecho de Vazão Reduzida (TVR), na Volta Grande do Xingu, que não são afetadas", acrescentou a ANA, em comunicado.
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