Haddad diz que Master não tem risco sistêmico porque está concentrado no FGC, mas é 'pancada'
Ministro da Fazenda diz que BC está revendo normas de supervisão para evitar que outros casos se repitam
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na noite desta sexta-feira, 27, que a crise do Banco Master não representa risco sistêmico - ou seja, à totalidade do sistema financeiro - e descartou eventual propagação do caso. Ele ressaltou que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) está estancando os efeitos negativos da liquidação da instituição financeira.
Haddad concedeu entrevista ao Flow News. Ele reconheceu, contudo, que a situação é uma "pancada" para o sistema financeiro. O FGC estima que terá que desembolsar até R$ 56 bilhões como ressarcir investidores pela liquidação do conglomerado do Master.
O ministro repetiu que esse episódio representa a "maior fraude bancária da história do Brasil e talvez uma das maiores do mundo".
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A autarquia mencionou a grave crise de liquidez e o comprometimento significativo da situação econômico-financeira do banco, dentre outros achados.
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro, revelou que o Banco de Brasília (BRB) pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito inexistentes vendidas pelo banco comandado por Daniel Vorcaro. Esses ativos podres foram trocados por outros papéis do Master, com garantias adicionais ao BRB, mas ainda há dúvidas sobre o quanto eles valem.
Haddad afirmou que o Banco Central está revendo normas de segurança, para evitar que casos semelhantes se repitam. Ele afirmou que a mudança de gestão do BC representou também uma alteração "drástica" no tratamento do caso Master.
Previamente, o ministro da Fazenda já havia mencionado que o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha consciência "do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor" quando assumiu a presidência da autoridade monetária, em 2025. Galípolo sucedeu Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ainda sobre esse tema, Fernando Haddad defendeu que "todos estão empenhados" para que as investigações prossigam "até o fim". O ministro tem avaliado em outras declarações públicas que o episódio eventualmente pode levar a novas responsabilizações, além de defender que a liquidação do banco foi feita "com muito cuidado".
O ministro da Fazenda defendeu ainda que o judiciário precisa saber se "auto sanear" (sic), se houver necessidade" no desenrolar da investigação do Banco Master. Ele fez essa argumentação após ser questionado sobre o papel do judiciário e especulações sobre envolvimento de autoridades nessa situação.