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Haddad: 'Companheiro Trump parece que gostou do companheiro Lula, deu química'

'Vamos separar política da economia em conversa com EUA', diz ministro da Fazenda, que afirma 'em algum momento', tarifas têm de ser revertidas

23 set 2025 - 20h24
(atualizado às 21h31)
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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 23, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "parece que gostou" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois se encontraram em Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça, em Nova York.

"Agora, o companheiro Trump parece que gostou do companheiro Lula, teve uma química, e vai começar a conversar, e falar de coisas que realmente importam, que é integração econômica, investimentos mútuos, parcerias", disse o ministro em discurso no Congresso de Direito Tributário do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

'Parece que Trump e Lula vão começar a conversar', diz Haddad
'Parece que Trump e Lula vão começar a conversar', diz Haddad
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Trump revelou o alinhamento para uma reunião entre os dois durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, surpreendendo Lula e seus aliados.

"Ele me parece um homem muito bom. Ele gostou de mim, eu gostei dele. E eu só faço negócios com quem eu gosto", disse Trump. "Tivemos uma química excelente. Isso é um bom sinal", emendou o americano.

'Separar política da economia'

Haddad disse que a ideia na conversa sinalizada pelo governo dos Estados Unidos com o governo brasileiro é "primeiro separar política da economia". "Porque nós temos enormes possibilidades de parceria", disse.

A oportunidade de diálogo entre ambos ocorre em meio à crise diplomática detonada pelas sanções e tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

O ministro citou parcerias possíveis no âmbito de transformação ecológica, aproveitamento de minerais críticos e terras raras para reindustrialização do Brasil, com apoio de outros países. "Nós temos muitos termos de acordo que já estavam em processo (com os EUA) e que podem ser retomados se as coisas voltarem à normalidade".

Ele afirmou que as tratativas com o governo anterior, de Joe Biden, eram no campo basicamente de transformação produtiva, envolvendo energias limpas, minerais raros e biocombustíveis, por exemplo. "Agora é outro governo, nós não tivemos a oportunidade ainda de ouvi-los sobre a visão que eles têm de cooperação".

Sobre a lista de exceções, Haddad disse que a defesa que faz não é tirar produtos brasileiros, como o café, da lista, mas não ter lista. "Nós não queremos lista nenhuma. Não tem razão. A América do Sul não deve ser tarifada", defendeu.

"Em algum momento isso (tarifas dos EUA) tem que ser revertido", prosseguiu. "Tem que retomar o diálogo institucional normal entre dois países amigos há dois séculos".

Durante a participação no Congresso, Haddad ainda disse que Lula tem conduzido uma repactuação nacional. "Eu vejo também na figura do presidente Lula, uma pessoa que tem articulado uma repactuação nacional. O Brasil não tem nenhum governador como inimigo, nenhum", defendeu.

'Decisão que não para em pé'

Haddad disse que os Estados Unidos começam a reconhecer que a decisão de sobretaxar o Brasil foi equivocada. O ministro afirmou que, em maio, disse ao secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que era a primeira vez que via uma região deficitária na relação com os EUA (a América do Sul) ser tributada, em meio às primeiras tarifas anunciadas pelo governo americano, de 10%.

"Dois meses depois, alguém deu a brilhante ideia de ele (Donald Trump) tarifar em mais 40% os produtos brasileiros, e agora eles (os americanos) estão escolhendo os frutos dessa decisão, pagando caro o café, pagando caro a carne, pagando caro os produtos brasileiros", afirmou.

"Começaram a excepcionalizar a decisão que tomaram, porque foi uma decisão não só politicamente errada, mas também economicamente errada. Foi uma decisão que não para em pé", criticou.

Haddad ainda disse que a reforma tributária veio "em boa hora", antes do tarifaço de Trump. "Como que por premonição de que alguma coisa muito ruim podia acontecer, e aconteceu", disse.

Segundo ele, o Brasil está em condições de enfrentar os novos desafios globais e sentar à mesa com qualquer grande player internacional, e citou "excelentes relações" com a Ásia, a proximidade de um "grande acordo" com a União Europeia e o Mercosul e a retomada do diálogo com os países da África.

"Nós estávamos em discussão pra alinhar investimentos estratégicos no campo da transformação ecológica entre o Brasil e os Estados Unidos, isso infelizmente tem que ser resgatado porque foi interrompido, mas quero crer que as iniciativas brasileiras vão aproximar os dois países", disse.

Reforma tributária

Haddad fez elogios à reforma tributária sobre o consumo, dizendo que o governo anterior "sepultou" essa discussão. "Foi um jogo que acabou em zero a zero, ninguém ganhou e o País ficou muito prejudicado, porque havia o sentimento dos parlamentares de querer avançar", considerou ele. O titular da Pasta econômica acusou o governo Jair Bolsonaro de atuar para criar uma nova CPMF e uma espécie de imposto digital sobre o Pix e outras transações financeiras.

O ministro disse que não cabia ao governo Lula encaminhar uma nova proposta de reformulação do sistema tributário nacional, até para aproveitar o trabalho que já vinha sendo feito pelos parlamentares. Segundo o ministro, foi dividida a "paternidade" da reforma com o Congresso.

Sobre o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), ele disse que trata-se de um IVA dual, mas não é. "No fundo, você está falando de um tributo só. É assim que vai ser tratado pelas empresas", argumentou.

"Estamos montando o maior sistema tributário digital do mundo", defendeu, dizendo que isso vai mudar a escala das empresas exportadoras e acabar com a guerra fiscal. "Privilegia o destino, que é o certo, o tributo ir para a cidade do contribuinte", elogiou.

Sobre o impacto da reforma na economia brasileira, ele disse: "Os mais otimistas falam de 20%, eu li os estudos a respeito e eu penso que a expectativa otimista é realista, eu penso que nós vamos ter um impacto forte no produto brasileiro quando a reforma começar a produzir os seus melhores resultados".

Sobre as excepcionalidades estabelecidas no texto, Haddad disse que seria "impossível" aprovar essa reforma sem algum nível de negociação com o Congresso Nacional em relação a setores sensíveis.

"Alguém perguntou, 'mas não tem exceção demais?' Também tem uma previsão de que a cada cinco anos, essas exceções vão ser revistas. Então, já contém o remédio para caso o excesso seja diagnosticado", completou.

Ele defendeu a posição de sua Pasta: "O Ministério da Fazenda, que era o encarregado das negociações, sempre se manifestou contra as excepcionalidades. Mas no decorrer, nós sabemos que é inevitável que elas existissem".

Reforma do prejuízo fiscal

O ministro da Fazenda afirmou ser a favor de uma reforma do prejuízo fiscal, para coibir práticas deletérias. Segundo ele, hoje se premia o empresário incompetente ou que age de má fé.

"A questão do prejuízo fiscal no Brasil é uma questão delicada, porque o prejuízo fiscal tem um tratamento totalmente anormal no Brasil", disse o ministro.

Ele exemplificou: "Uma empresa que está na beira da falência, ela é adquirida pelo valor do prejuízo fiscal dela. Então, é como se você estivesse premiando um mal empresário, porque o que não valia nada passa a valer alguma coisa perante a Receita Federal".

Segundo Haddad, as empresas vão ter uma previsibilidade maior e impedir "artifícios" que foram criados e que "nada têm a ver" com o instituto originalmente pensado.

Ele ainda dividiu responsabilidades com o Congresso, dizendo que essa reforma tem que ser feita "no bojo de um acordo" com os parlamentares. "Em geral, o Congresso tem um pouco de resistência a corrigir distorções tributárias", disse.

"Às vezes a gente manda um pedido [de reformas] redondo e volta quadrado. Melhor a gente deixar para a próxima oportunidade, vamos fazer com qualidade a reforma do consumo, tem muita coisa na renda para corrigir e vai chegar o dia do prejuízo", completou.

Estadão
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