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'Há boa surpresa de outros países, chegará vez do Brasil', diz Haddad sobre busca de acordo com EUA

Ministro afirma que medidas do plano de contingência para socorrer empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço devem ser levadas a Lula na próxima semana

23 jul 2025 - 20h31
(atualizado às 21h00)
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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira, 23, que a informação que chegou ao governo brasileiro é de que o País tem razão em querer sentar à mesa com os Estados Unidos para debater a sobretaxa de 50% anunciada a produtos brasileiros. Ele disse ainda que, na esteira dos acordos firmados pelos EUA com outros países nos últimos dias, "vai chegar a vez do Brasil".

"A informação que chega é que o Brasil tem um ponto. O Brasil tem razão em querer sentar à mesa, mas que o tema está muito concentrado na assessoria da Casa Branca. Daí a dificuldade de entender melhor qual vai ser o movimento de lá", afirmou.

Questionado se o governo passa a trabalhar com o cenário de início das tarifas de 50% em 1º de agosto - data anunciada pelo presidente americano Donald Trump -, Haddad citou exemplos de outros países que conseguiram negociar com os EUA.

‘Há boa surpresa de outros países, chegará vez do Brasil’, diz Haddad
‘Há boa surpresa de outros países, chegará vez do Brasil’, diz Haddad
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Nós tivemos boas surpresas em relação a outros países nos últimos dias. Então, podemos chegar à data de 1º de agosto com algum aceno e alguma possibilidade de acordo", argumentou. "Mas para haver acordo, precisa haver duas partes sentadas à mesa para chegar a uma conclusão. Não dá para antecipar um movimento que não depende só de nós", ponderou.

Ele repetiu que o Brasil "nunca saiu da mesa de negociação". "Em nenhum momento abrimos mão de conversar. Mas para ter um acordo, precisa ter vontade recíproca. Espero que isso vá acontecer."

O titular da Fazenda disse ainda não ver escalada política no fato de os países terem "a sua dinâmica institucional normal". "Ninguém está escalando nada. Está todo mundo fazendo o seu trabalho", defendeu.

"Tem algumas coisas acontecendo. Eu estou vendo que a Europa, o Japão se movimentaram, a Indonésia e as Filipinas se movimentaram, o Vietnã se movimentou", exemplificou.

"Estão acontecendo rodadas de negociação. Vai chegar a vez do Brasil. E nós temos que estar preparados para quando sentarmos à mesa. Nós temos que expor o nosso ponto de vista com base técnica. Nós queremos um debate técnico, não queremos um debate que fuja da racionalidade", finalizou.

Socorro a empresas

Haddad disse nesta noite que avançaram as discussões em torno do plano de contingência para socorrer as empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço norte-americano. Segundo ele, a área técnica vai apresentar os detalhes nesta quinta-feira, 24, e, provavelmente, na próxima semana as medidas serão levadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"As área técnicas dos três ministérios envolvidos (Fazenda, Indústria e Comércio e Relações Exteriores) vão me apresentar amanhã os detalhes. Provavelmente semana que vem nós devemos levar para o presidente, porque amanhã e sexta-feira ele vai estar fora. Devemos marcar uma reunião para nós apresentarmos os cenários possíveis", informou Haddad a jornalistas.

O ministro completou: "Evidentemente, isso não é uma decisão nossa; é uma decisão dele (Lula), política. Ele vai ouvir o Itamaraty, ele vai ouvir como andam os contatos lá com a nossa contraparte", disse.

Possíveis reações a Trump

Sem antecipar medidas, Haddad que ele e os ministros da Indústria, Geraldo Alckmin, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encomendaram cenários para fazer frente à imposição de tarifas a produtos brasileiros pelos EUA.

"Eu, o ministro Mauro e o ministro Alckmin encomendamos de acordo com certos parâmetros. Vou conhecer amanhã (quinta-feira) e aí vamos levar ao presidente (Lula) semana que vem", informou o ministro.

O titular da Fazenda disse que, depois de passar pelo crivo dos três ministros, o plano seguirá para o Palácio do Planalto para um balanço do que pode ser acionado e de quais ofertas podem ser feitas. Ele disse que é preciso ver se até até o dia 1º de agosto vai ter "um restabelecimento, um diálogo normal entre dois países que tem 200 anos de relação diplomática".

Questionado sobre quando o anúncio do plano vai sair, ele disse que isso depende do Planalto. "Nós estamos fazendo aqui um trabalho de desenho de cenários para que o presidente possa estar bem apropriado de tudo que está em jogo e possa, ouvindo os seus colaboradores, tomar a melhor decisão", afirmou.

Haddad ainda frisou que o governo brasileiro tem feito tentativas de contato: "Lembrando que nós estamos fazendo tentativas de contatos reiterados. Mas há uma concentração de informações na própria Casa Branca em relação a esse tema", disse.

Pela Fazenda, os contatos estão sendo feitos com a equipe técnica do Tesouro americano, não com o secretário Scott Bessent.

'Toda ajuda é bem-vinda, mas movimentos são restritos', diz Haddad sobre governadores

Haddad reconheceu o esforço que vem sendo feito por governadores brasileiros para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, dizendo que "toda ajuda é bem-vinda". Ele, porém, salientou que os movimentos são "um pouco restritos".

Em referência ao plano anunciado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Haddad disse que uma linha de R$ 200 milhões não tem um alcance tão grande, porque se está falando de US$ 40 bilhões de exportação. O governo de SP anunciou nesta quarta uma linha de crédito subsidiado de R$ 200 milhões para as empresas do Estado que exportam aos EUA.

"Então, repito, toda ajuda é bem-vinda. É bom saber que os governadores estão mobilizados agora e percebendo, finalmente, que o problema é do Brasil. Não é um problema de governo, é um problema do Estado brasileiro", disse.

Sem citar nomes, Haddad disse que "é bom notar que eles estão mudando de posição" e "deixando de celebrar uma agressão estrangeira ao Brasil".

"Isso é importante, caírem na real e abandonarem o movimento inicial que fizeram de apoio ao tarifaço contra o Brasil", alfinetou. "Todo mundo que puder se mobilizar é ótimo. Mas nós estamos falando de um problema com uma escala considerável", completou.

Estadão
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