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Greve dos caminhoneiros: saiba o impacto nos seus negócios

9 nov 2015
15h04
atualizado em 10/11/2015 às 07h25
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A greve de caminhoneiros iniciada nesta segunda-feira (9) em diversos Estados do Brasil terá impactos em vários setores da economia. A paralisação foi convocada por meio das redes sociais desde fins de outubro, com o objetivo de reivindicar redução no preço do óleo diesel, cancelamento de multas de greves anteriores e ampliação de créditos subsidiados. Há ainda demandas de renúncia ou afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República. Mas e pra você? Como a greve vai mudar a sua vida? Quer saber qual será o impacto sobre seu negócio e como sua pequena ou média empresa pode prevenir perdas relacionadas à logística?

A greve começou com mais força no Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Entre fevereiro e março deste ano, uma paralisação semelhante foi promovida, encerrando-se após 17 dias, com a sanção da nova Lei do Caminhoneiro (lei nº 13.103/2015).

Caminhoneiros protestam na BR-040, nas proximidades da cidade de Valparaíso de Goiás. Alcance e impactos exatos ainda são difíceis de avaliar.
Caminhoneiros protestam na BR-040, nas proximidades da cidade de Valparaíso de Goiás. Alcance e impactos exatos ainda são difíceis de avaliar.
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Três organizações de caminhoneiros do país (Confederação Nacional dos Transportes Autônomos, Associação Brasileira dos Caminhoneiros e União Nacional dos Caminhoneiros) manifestaram, por meio de notas à imprensa, que discordam dos bloqueios. Na avaliação dessas instituições, a manifestação tem objetivos políticos alheios aos interesses específicos da categoria.

A principal referência da greve é uma organização de caminhoneiros autônomos que se apresenta como Comando Nacional dos Transportes (CNT). No Brasil, há 2,2 milhões de profissionais de frete e cargas que atuam de forma independente de empresas. Esses autônomos sentiram-se menos contemplados pela redação final da Lei do Caminhoneiro, segundo declarações dos organizadores.

Impacto da greve de caminhoneiros

Independentemente do mérito e de divisões da categoria, o empresário do setor de transportes e, principalmente, de outros segmentos, tem motivos de sobra para se preocupar. O impacto da paralisação para pequenas e médias empresas é difícil de medir. Por estar no início, as informações sobre o número de pontos de bloqueio são ainda parciais. Em 25 de fevereiro de 2015, no auge do protesto anterior, a quantidade de locais com impedimentos em estradas chegou a 129 em 14 Estados. É importante ressaltar que os 5 itens listados abaixo são riscos, não havendo ainda evidências de que podem efetivamente se concretizar.

1. Fim de ano

Qualquer impacto na produção, distribuição ou vendas de fim de ano seria crítico para pequenas empresas do Brasil. Seja as produtoras — da agricultura e pecuária e da indústria — até comércios, passando por distribuidoras e outros segmentos de serviços.

2. Atrasos na entrega

Em caso de haver bloqueios, ainda que os motoristas contratados por sua empresa não tenham aderido à paralisação, a entrega pode atrasar. Isso pode acarretar negócios desfeitos, mercadoria estragada — no caso de produtos perecíveis — além de desaceleração de pedidos em um momento-chave do ano, em que lojas e estabelecimentos comerciais se abastecem para as festas de final de ano.

3. Atrasos no recebimento de cargas

A outra face do risco de demora na entrega é justamente as consequências do retardamento do recebimento das mercadorias. Para pequenas e médias indústrias, caso a matéria-prima tarde, há impactos na produção. Para o comércio, o recebimento de mercadorias é chave para o abastecimento.

4. Perda de produção

Além de alimentos perecíveis em transporte, há riscos para pequenos produtores rurais de prejuízos com a criação e a lavoura. Caso a vazão de distribuição de alimentos seja afetado, o fluxo de abate e armazenamento também poderá ser atingido.

5. Preço do frete

O diesel é o combustível usado em praticamente toda a frota de caminhões no Brasil. Seu custo tem impacto direto sobre o preço do frete no país. Os resultados das manifestações podem ter impacto nesse tipo de gasto das empresas, de todos os portes — mais grave para as pequenas, que costumam ter menos recursos para contornar perdas.

Evite prejuízos com a paralisação dos caminhoneiros

Neste mês de novembro, listamos 3 medidas a tomar para evitar perdas. Confira:

1. Busque informações

Converse com os profissionais de transporte ou empresas responsáveis pela logística que atendem seu negócio para entender o impacto.

2. Crie um plano B

Havendo ou não impactos diretos da greve sobre seu negócio, considere a possibilidade de buscar uma alternativa de transporte. Esse plano B pode ser útil em caso de outros tipos de contingência. Se já tiver um, é um momento favorável para revisá-lo. Serviços de logística dos Correios ou adotar outros tipos de modais e rotas podem ser medidas paliativas.

3. Alertar e negociar prazos

Seja com fornecedores, seja com clientes, se você percebe riscos de atraso, seja proativo e apresente a realidade com transparência e disponibilidade. É melhor comunicar sobre a possibilidade de demora a ser cobrado por ela, porque isso coloca você na posição de parceiro e profissional. Esperar o pior cenário se concretizar, mesmo não sendo responsabilidade da sua empresa, pode passar a impressão de um distanciamento pouco saudável para seus relacionamentos comerciais.

 

Destino Negócio
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