GPA firma acordo com credores para plano de recuperação extrajudicial de dívidas de R$4,5 bi
O GPA afirmou nesta terça-feira que firmou acordo com seus principais credores para apresentação de um plano de recuperação extrajudicial, assegurando que as atividades operacionais não serão afetadas.
De acordo com fato relevante do varejista, o plano abrange determinadas obrigações de pagamento sem garantia que não constituem obrigações correntes ou operacionais da companhia, no montante total de aproximadamente R$4,5 bilhões.
"Ficam expressamente excluídas obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas", afirmou a empresa.
O acordo teve autorização unânime do conselho de administração.
O dono da rede de supermercados Pão de Açúcar, que vem registrando prejuízos consecutivos nos últimos anos, passou por mudanças relevantes no ano passado, com o Grupo Coelho Diniz assumindo como principal acionista (24,6%). Outrora controlador, o francês Casino ainda detém uma fatia de 22,5%.
Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração. Na sequência, o presidente-executivo, Marcelo Pimentel, que estava no cargo desde 2022, renunciou. No começo de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito como diretor-presidente da companhia.
Em 2025, a companhia registrou um prejuízo líquido das operações continuadas de cerca de R$651 milhões, encerrando o exercício com uma dívida líquida de R$2 bilhões, enquanto a dívida bruta total somava R$4 bilhões.
No balanço, o parecer de auditor destacou "incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional", citando um capital circulante líquido consolidado negativo de R$1,2 bilhão, decorrente principalmente de empréstimos e financiamentos de R$1,7 bilhão com vencimentos ao longo de 2026.
"Esses eventos ou condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia", afirma o parecer do auditor no documento.
Na teleconferência sobre os resultados, o presidente-executivo afirmou que a companhia precisava de uma mudança estrutural e cultural e destacou que estava tratando com prioridade a questão do endividamento da companhia.
Na semana passada, o GPA afirmou que estava analisando diferentes alternativas para a melhoria do perfil do seu endividamento e que contratara consultores para assessorá-la nessas frentes.
OPERAÇÕES PRESERVADAS
O plano divulgado nesta terça-feira foi celebrado entre a companhia e seus principais credores, titulares de 46% do total de créditos sujeitos ao plano, equivalente a R$2,1 bilhões, percentual superior ao quórum mínimo legal.
O GPA afirmou que a medida, que tem efeitos imediatos, prevê a suspensão das obrigações da companhia junto aos credores afetados e cria um ambiente seguro e estável para a continuidade das negociações por 90 dias.
Nesse período, a companhia espera conseguir o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo.
"O plano representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação", afirmou o GPA.
"O plano também reflete a manutenção de um diálogo construtivo e de bom entendimento com os seus principais credores."
A companhia também disse que o processo foi estruturado de modo a preservar a operação de suas lojas, que deverão seguir funcionando normalmente.
"Suas operações são saudáveis, e a companhia está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e parceiros, os quais estão excluídos e não serão afetados pelo processo de recuperação extrajudicial."