Governo poderá oferecer crédito a empresas afetadas pelo fim da escala 6x1, diz Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pode criar uma linha de crédito para apoiar empresas afetadas pelo fim da escala de trabalho 6x1, aprovado pelo Senado. Segundo ele, o objetivo é incentivar a produtividade e a inovação nessa transição. Durigan também defendeu o ajuste gradual das contas públicas, criticou o patamar dos juros e classificou como inviável e enganosa a proposta da oposição de cortar 1,5% do PIB no curto prazo, alertando para prejuízos a programas sociais.
O governo federal pode preparar uma linha de crédito voltada a empresas eventualmente afetadas pelo fim da escala de trabalho 6x1, com o objetivo de fomentar capacitação, inovação e produtividade no país, disse nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Em entrevista à TV Band, Durigan reconheceu que a nova regra trabalhista gera ônus para alguns empresários, mas classificou como algo "minoritário", ressaltando que cerca de 70% dos trabalhadores já atuam hoje na escala de trabalho 5x2.
"Os empresários têm que ter apoio do governo para participar desse novo tempo, que é uma mudança civilizacional", disse Durigan na entrevista, falando como coordenador do plano econômico da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Senado aprovou na quarta-feira Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada de trabalho conhecida como 6x1, medida popular defendida pelo presidente Lula, mas alvo de críticas por setores empresariais.
Em declarações anteriores neste ano, Durigan vinha se posicionando contra medidas compensatórias a companhias afetadas pela nova regra e chegou a afirmar que não caberia ao governo indenizar empresários, mas sim prever um prazo de transição.
Na entrevista, o ministro também afirmou que a taxa de juros segue sendo um problema no país e defendeu que o governo mantenha o trabalho de ajuste das contas públicas, com obtenção de superávits primários cada vez maiores, mas sem "cavalo de pau".
Em relação ao ajuste fiscal de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto pela campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para adoção em prazo curto, Durigan afirmou que a ideia não é crível. Para ele, um ajuste dessa magnitude não poderia ser feito sem passar por cortes em políticas públicas, como os ganhos reais do salário mínimo e outras ações sociais.
"Ele precisa dizer para quem está mentindo, ou é para o mercado ou é para as pessoas que são beneficiárias desses programas... É totalmente inviável, totalmente mentiroso", afirmou.
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