Gleisi diz que Lula pediu estudo sobre rotativo do cartão de crédito para superar endividamento
Ministra afirmou que presidente pediu levantamento à Fazenda e ao BC; petista investe em pacote eleitoral de bondades
BRASÍLIA - A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, afirmou nesta terça-feira, 30, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou um estudo ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda para tentar reduzir os juros dos cartões de crédito, como forma de reduzir o endividamento dos brasileiros.
Em conversa com jornalistas nesta segunda-feira, 30, Gleisi disse que Lula questionou os juros dos cartões de crédito, afirmando que as taxas não têm justificativa por parte das bandeiras.
"O presidente pediu para estudar. Ele disse: 'Como é que pode um juro que é uma Selic por mês no crédito rotativo? Isso não tem justificativa'. Se o juro do cheque especial já está tabelado, por que você não pode ter referência ali? Tem um projeto que foi aprovado que diz que você não pode pagar que 100% da dívida em juros, mas isso ainda não foi operacionalizado", disse Gleisi.
Em fevereiro, a taxa média cobrada pelos bancos no rotativo do cartão subiu para 435,9% ao ano, segundo dados do Banco Central.
O estudo sobre o rotativo faz parte de uma iniciativa do governo federal para tentar reduzir o endividamento que, segundo Lula, impede que as famílias percebam os números da economia que seriam favoráveis na visão dele.
Durante uma agenda em Anápolis (GO), na última quinta-feira, 26, Lula disse que pediu ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que pudesse encontrar maneiras para contornar a situação.
"Pedi ao meu ministro da Fazenda que a gente precisa tentar resolver esse problema da dívida das pessoas. Não quero que as pessoas deixem de endividar para ter coisas novas na vida. Não estou pedindo isso. O que queremos é ver como fazemos para facilitar o pagamento do que vocês devem e como podemos colocar na televisão uma política de ensino de administração do salário", afirmou o petista.
Preocupado com o avanço da oposição nas pesquisas de intenção de voto, Lula investe em um pacote de bondades para obter dividendos eleitorais. O petista entrou no que aliados chamam de "modo cobrança" e tem pressionado auxiliares a apresentar resultados rápidos porque, no seu diagnóstico, a comunicação do governo ainda não conseguiu demonstrar o que vem sendo feito.
Se por um lado os indicadores macroeconômicos são favoráveis ao governo, com inflação dentro do intervalo de tolerância da meta, desemprego na mínima histórica e crescimento do PIB, por outro as pesquisas indicam que a economia continua sendo uma das principais preocupações dos brasileiros.