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Geraldo Alckmin diz que tarifaço dos EUA é 'injusto' e ‘descabido’

Vice-presidente disse que argumentos apresentados por Washington não encontram respaldo nos dados da relação comercial entre os dois países

16 jul 2026 - 17h10
(atualizado às 18h10)
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Alckmin afirmou que, ao contrário do que sustentam as autoridades americanas, os Estados Unidos acumulam superávit na balança comercial com o Brasil
Alckmin afirmou que, ao contrário do que sustentam as autoridades americanas, os Estados Unidos acumulam superávit na balança comercial com o Brasil
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou nesta quinta-feira, 16, o tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros como uma medida "injusta" e "descabida". Segundo ele, os argumentos apresentados por Washington não encontram respaldo nos dados da relação comercial entre os dois países.

Alckmin afirmou que, ao contrário do que sustentam as autoridades americanas, os Estados Unidos acumulam superávit na balança comercial com o Brasil. De acordo com o vice-presidente, nos últimos 15 anos, o saldo é favorável aos norte-americanos.

"É injusta e descabida. É injusta porque, se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos, nos últimos 15 anos os Estados Unidos tiveram conosco superávit na balança comercial. Então, os Estados Unidos têm com o Brasil superávit, e não déficit", declarou.

O vice-presidente acrescentou que o Brasil é um dos poucos integrantes do G20 com os quais os Estados Unidos registram saldo positivo nas trocas comerciais. "Nos países do G20, são apenas três em que os Estados Unidos têm superávit: Brasil, Reino Unido e Austrália", afirmou.

Alckmin afirmou ainda que o governo poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, caso considere necessário responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos. 

"Temos uma lei da reciprocidade aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la", disse.

O vice-presidente também garantiu que o governo prepara medidas para reduzir os impactos sobre os setores atingidos pelo tarifaço e ampliar a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros.

"Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o governo do presidente Lula trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro, quem ajuda o Brasil a crescer. Teremos um programa de apoio aos setores afetados, enquanto Apex, BNDES e ABDI farão um empenho redobrado para abrir novos mercados e ampliar ainda mais o comércio exterior", concluiu.

Tarifaço 

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, em comunicado publicado no fim da noite de quarta-feira, 15. A entrada em vigor da cobrança está programada para a próxima quarta-feira, 22.

A nova tarifa ocorre no âmbito da investigação comercial sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

A publicação do USTR trouxe uma lista de itens isentos da tarifa de 25%, incluindo carne bovina, café, laranja, suco de laranja, partes para a fabricação de aviões, petróleo e celulose.

Mauro Vieira diz que EUA aplicaram novo tarifaço porque Brasil ‘não se curvou’ a investidas de Trump:
Fonte: Portal Terra
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