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Argumentos contra Pix são desculpas para criar 'lógica' para tarifaço dos EUA, diz Galípolo

Meio de pagamento é reconhecido internacionalmente por FMI e BIS, diz presidente do BC

16 jul 2026 - 18h20
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BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 16, que os argumentos do governo dos Estados Unidos contra o Pix são desculpas para tentar criar algum tipo de "lógica" para a imposição de tarifas a produtos brasileiros.

"Fica evidente que a argumentação realmente passa por uma tentativa de inventar alguma lógica para a aplicação de tarifas", disse em entrevista coletiva sobre a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

No anúncio da taxação, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) acusou o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

Galípolo mencionou que o BC brasileiro já assinou termos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais pelo mundo para o desenvolvimento de sistemas semelhantes ao Pix.
Galípolo mencionou que o BC brasileiro já assinou termos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais pelo mundo para o desenvolvimento de sistemas semelhantes ao Pix.
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O banqueiro central afirmou que a argumentação utilizada pelo governo americano faz pouco sentido, e, em uma analogia, disse que seria mais ou menos como tentar dizer que a criação do saneamento básico prejudica a receita de quem tem caminhão pipa.

Galípolo frisou, na sequência, que essa lógica também não é verdadeira. "Uma vez analisado o que aconteceu efetivamente a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%", mencionou.

Ele ponderou que quem perdeu espaço com o Pix foram os cheques e o dinheiro físico, o que mencionou ser absolutamente desejável, já que esses meios têm alto custo de transação.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse ser difícil de compreender a posição dos Estados Unidos sobre o Pix, uma vez que a infraestrutura é aberta.

"Se você olhar para o resto do mundo, é normal que o sistema de pagamento funcione como uma infraestrutura pública e, no caso do Brasil, ela é aberta para que todos os participantes possam acessar e produzam a concorrência entre eles", disse o presidente da autoridade monetária. "A gente assistiu isso. O Brasíl está na fronteira do ponto de vista tecnológico de inclusão financeira e competição dentro do nosso sistema financeiro", emendou.

Galípolo disse que, de forma curiosa, os argumentos expostos pelos EUA, são quase pontos que justificariam a infraestrutura permanecer pública. "O custo antes era maior para todo mundo. Ao ter essa infraestrutura o custo caiu." Repetiu, na sequência, que o caso do Pix talvez seja o mais flagrante de empilhar desculpas para justificar a tarifa.

Pix é reconhecido internacionalmente por FMI e BIS, diz Galípolo

O presidente do BC enfatizou que o Pix produziu benefícios para a sociedade brasileira como um todo e é reconhecido internacionalmente por isso, com manifestações nesse sentido do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês).

"O caso da implementação do Pix consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta, para o setor público e para o setor privado", disse.

Galípolo mencionou que o BC brasileiro já assinou termos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais pelo mundo para o desenvolvimento de sistemas semelhantes ao Pix.

"Estados Unidos, Europa, China, Índia, Singapura e uma série de outros bancos centrais já implementaram ou estão estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo, como o Pix, que é claramente o futuro. Isso vai avançar de maneira bastante clara."

O banqueiro central também ressaltou que o BC vai seguir fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo, além de seguir na evolução técnica do meio de pagamentos, com cooperação com outros bancos centrais.

Estadão
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