Gastança pública e recuperações judiciais: a bomba de efeito retardado em preparação no Planalto
Com os juros estratosféricos decorrentes dos gastos eleitoreiros e da necessidade da venda maciça de títulos públicos para financiá-los, os sintomas da fraqueza econômica brasileira vão se apresentando
A onda de recuperações judiciais no varejo, impulsionada por juros altos, endividamento das famílias e descontrole fiscal, sinaliza uma grave crise econômica no Brasil. O avanço acelerado da dívida pública, mascarado por gastos eleitoreiros e manobras políticas voltadas à reeleição, constrói um cenário de bomba-relógio que ameaça a estabilidade do país após o período eleitoral.
A crise do varejo põe o Planalto em polvorosa. Como nos casos de maleita, o corpo treme sem parar. Casas Bahia, Marabraz e agora a casa de esfiha's Habib's pedem recuperação judicial e jogam lenha no incêndio que se aproxima, ameaçando a economia brasileira.
O comportamento do comércio varejista antecipa os problemas, alerta Jorge Wilson Simeira Jacob em seu blog. Jacob conhece bem o assunto. Sócio principal da rede Lojas Arapuã, que nos anos 1980 era uma das maiores do País com mais de 250 lojas, Jacob viu seu negócio ser tragado por uma brutal crise de crédito - os clientes dependiam de empréstimos para consumir, num tempo em que cartões de crédito eram escassos e não havia Pix. Sem crédito, os clientes paravam de comprar.
Jacob usou todos seus recursos próprios para pagar os credores, em geral indústrias que fabricavam eletrodomésticos e eletroeletrônicos que eram revendidos pela Arapuã. Os credores, com a exceção de um desafeto pessoal, confiavam em Jacob. Não houve ruídos quando a Arapuã fechou.
Com os juros estratosféricos decorrentes da gastança eleitoreira e da necessidade da venda maciça de títulos públicos para financiá-la, os sintomas da fraqueza econômica brasileira vão se apresentando. As contratações de mão de obra com carteira assinada vão se tornando mais lentas e menos remuneradas e os consumidores estão encalacrados: mais de 80% se endividaram e muitos já não conseguem pagar os cartões de crédito e os carnês. A dívida pública avança celeremente.
O quadro tende a se tornar explosivo, ainda que a explosão possa vir depois do 2.º turno das eleições presidenciais. A reeleição segue sendo possível, mas a diferença de votos exibida em pesquisas, em relação aos opositores, parece estreitar-se.
Uma bomba de efeito retardado está sendo fabricada no Planalto, com a anuência dos quadros econômicos que falam contra a gastança mas nada fazem - ou podem fazer - para equilibrar as contas públicas. No teatro brasiliense, faz grande sucesso a encenação da peça caracterizada pela não inclusão dos vilões no palco visto pelo público (os vilões são a parte dos gastos excluídos do orçamento público). Era como se fossem gastos fantasmagóricos.
O governo se associa à nata do Congresso na tentativa de preservar os votos. Eliminar a escala 6X1 é o trunfo de que os marqueteiros oficiais dispõem para tentar eleger o incumbente. Não parece importar que o ônus vá incidir sobre os setores privados e públicos obrigados a substituir negociações pelos rigores da lei.
A esperança do incumbente está em Alcolumbre e Motta, prontos para ajudar o governante que quer se reeleger. O problema será se os eleitores desconfiarem que os arranjos não vão beneficiá-los, nem que as políticas permitam desenrolá-los.
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