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Galípolo cita "gordura" para BC analisar efeitos da guerra e diz que mercado entendeu "calibragem" da Selic

26 mar 2026 - 13h39
(atualizado às 14h08)
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ‌afirmou nesta quinta-feira que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu à autarquia "gordura" para analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio, acrescentando que o mercado entendeu corretamente o fato de a "calibragem" da Selic se referir a cortes dos juros.

Durante coletiva de imprensa sobre o Relatório de ⁠Política Monetária, Galípolo avaliou que o momento atual é de ter "tempo para ‌entender" os efeitos econômicos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

"O conservadorismo que o BC adotou ao longo de 2025 ‌reservou para a gente uma posição melhor ‌do que se a gente não tivesse sido conservador", disse.

"Nos permite ⁠ter uma gordura para que a gente possa ir analisando os desdobramentos (da guerra) e entender como isso vai impactar a economia brasileira."

Segundo ele, vem ganhando força a interpretação de que o choque gerado pelo conflito afeta não apenas a logística, mas também a capacidade produtiva de petróleo.

Galípolo ressaltou ‌que banqueiros centrais têm concluído que choques de oferta como o observado ‌agora com o petróleo ⁠tendem a pressionar ⁠a inflação para cima e a atividade econômica para baixo.

Para o presidente do BC, ⁠é necessário um estudo mais aprofundado ‌sobre os efeitos do ‌conflito sobre a atividade no Brasil, que conta com o benefício de ser exportador de petróleo.

Ele ressaltou que o cenário de incerteza "alargou" o intervalo de confiança das projeções do BC, ressaltando que a parcimônia ⁠da autarquia ao longo do último ano dá agora à autoridade monetária mais tempo para entender quais os desdobramentos do conflito sobre o país.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a taxa básica Selic em 25 ‌pontos-base, para 14,75% ao ano, mas destacou o aumento da incerteza com a guerra. O BC afirmou que estava dando início a um ciclo ⁠de "calibração" da política monetária, termo que já constava no comunicado anterior do Copom, de janeiro, quando sinalizou um corte para março.

De acordo com Galípolo, o mercado entendeu corretamente que a calibragem citada pelo BC diz respeito ao processo de corte de juros.

Na entrevista, o presidente do BC afirmou que a revelação do envolvimento de servidores do BC em atos investigados pela polícia sobre o Banco Master gerou consternação entre servidores e um "processo de luto".

Ele defendeu a aprovação da emenda constitucional que dá autonomia financeira à autoridade monetária e do projeto de lei de resolução bancária, que dariam mais instrumentos para a atuação do BC em casos desse tipo.

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