G7 decide não recorrer ainda a reservas estratégicas para conter alta do preço do petróleo
Os ministros das Finanças do G7 se reuniram nesta segunda-feira (9) para discutir uma estratégia comum diante da alta do preço do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. O preço do barril disparou desde o início dos bombardeios ao Irã e chegou a encostar em US$ 120 o barril, no décimo dia do conflito. Mas o grupo das economias mais desenvolvidas do mundo excluiu recorrer por enquanto às reservas estratégicas de petróleo para estabilizar o mercado.
A reunião dos ministros das Finanças do G7 foi convocada pela França, que ocupa a presidência rotativa do grupo. O encontro aconteceu por videoconferência. O G7 é formado por Estados Unidos, Japão, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha e Itália.
A utilização das reservas estratégicas de petróleo para tentar estabilizar o mercado era o tema central da pauta. Ao final do encontro, o ministro francês das Finanças, Roland Lescure, descartou por enquanto a medida. "Ainda não chegamos a esse ponto", afirmou Lescure à imprensa em Bruxelas.
Ele completou que o grupo vai acompanhar a situação de perto e tomar todas as medidas necessárias, "inclusive recorrer às reservas estratégicas de petróleo para estabilizar o mercado".
Em Bruxelas, a Comissão Europeia avaliou nesta segunda-feira que não há risco de escassez iminente de fornecimento de petróleo na Europa. Uma porta-voz do bloco indicou que todos os Estados-membros devem dispor de estoques de emergência para 90 dias. Segundo ela, eles deverão informar à Comissão quando liberarem essas reservas. Nenhum país tomou a medida até agora.
Preço do petróleo disparou
Com a escalada do conflito e a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder do Irã, em sucessão ao pai, o preço do petróleo chegou a subir mais de 30% nesta segunda-feira. A cotação do barril se aproximou de US$ 120 nos mercados asiáticos.
O barril de petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência americana do mercado, chegou a superar a cotação de US$ 118 (R$ 623) nas primeiras negociações, o maior valor desde 2022, quando os preços dispararam com a invasão da Rússia ao território da Ucrânia. Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, o preço do barril de WTI subiu 70%, o que nunca havia sido registrado em um período tão curto.
A disparada dos preços derrubou as bolsas nesta segunda-feira e reacendeu temores de um choque inflacionário e crise econômica global. Investidores estão preocupados com interrupções no fornecimento pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo, bloqueado há vários dias.
A alta, porém, diminuiu quando surgiu a possibilidade de o G7 recorrer às reservas estratégicas. Resta saber como os mercados vão reagir ao resultado da reunião do grupo.
Por enquanto, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sugeriu suspender as sanções ao petróleo russo para criar mais oferta do produto.
Países asiáticos já sentem o aumento dos preços dos hidrocarbonetos. Mianmar e Bangladesh anunciaram as primeiras restrições.
G7 de energia
O uso das reservas estratégicas voltará a ser discutido nesta terça-feira em uma reunião extraordinária de ministros de Energia do G7, à margem de uma cúpula em Paris sobre energia nuclear civil.
As reservas são coordenadas pela Agência Internacional de Energia. A AIE, criada em 1974 após o choque do petróleo, exige que seus trinta países membros mantenham permanentemente reservas equivalentes a pelo menos 90 dias de importações líquidas para amortecer choques como uma guerra prolongada no Oriente Médio.
Com AFP
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