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Funcionário com problema de visão trabalha sem nenhuma luz

Conheça a trajetória de um desenvolvedor que tem uma sala escura especial para trabalhar.

4 jun 2022 - 01h00
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João Vitor Granzotti Machado em sua sala escura
João Vitor Granzotti Machado em sua sala escura
Foto: Reprodução

A história de João Vitor Granzotti Machado, 25 anos, é uma daquelas que você conhece, se emociona e utiliza como inspiração para a sua vida. Portador de uma combinação de anomalias genéticas muito raras, todas relacionadas a visão, ele enxerga tudo somente em preto e branco, tendo sensibilidade alta à luminosidade, acuidade visual reduzida, entre outros detalhes, o que o classificam como deficiente visual, especificamente portador de visão subnormal.

“Tenho apenas cerca de 15%-30% da visão”, explica o próprio Granzotti.

Para viver, ele precisa utilizar óculos com lentes filtrantes escuras e com grau o tempo todo. Para fazer atividades do dia, ele precisa, por exemplo, de tela e equipamentos especiais no seu trabalho diário e em sua vida normal, como também necessita de uma bengala verde para se locomover.

Diante dessa situação, é de se imaginar a dificuldade para Granzotti encontrar  um bom emprego. Aí entra em cena a Tractian, empresa que oferece sistemas de monitoramento industrial do mercado. A história começou em plena pandemia, em 2020.

Seu primeiro cargo na empresa foi como Líder de Ciência de Dados e Especialista em Manutenção. “Entrei na empresa muito no início. Eu já conhecia os founders, que tinham conhecimento prévio da minha deficiência. Em momento algum minha deficiência foi pauta de preocupação ou medo. Basicamente quando eu mencionei minhas necessidades a resposta foi ‘a gente resolve’”, lembra ele. 

Com o passar do tempo, as responsabilidades foram aumentando e seu cargo também. Hoje, Granzotti é Head de Dados na empresa. No entanto, a trajetória do profissional dentro da companhia tem algo diferenciado.

Pela sua necessidade especial, trabalhar em locais mais escuros acaba sendo o mais confortável e indicado. Foi então que a própria empresa decidiu construir um Dark Mode, uma sala especial completamente escura, para que João pudesse trabalhar. 

“Isso partiu do Igor e do Gabriel, co-CEOs da Tractian. Eles me disseram que teriam uma surpresa no novo layout do escritório e era um espaço totalmente dedicado à minha necessidade. Fiquei, além de surpreso, muito feliz, pois eu realmente nunca tinha pedido por isso”, explica.

O cantinho Dark Mode é um local onde ele tem espaço suficiente para usar sua tela especial, em um ambiente com luminosidade reduzida e paleta de cores escuras, já que tem alta sensibilidade à luz. Lá, todas as paredes foram pintadas de preto para que a luz não o atrapalhasse, além de possuir um monitor especial, uma TV de 29 polegadas para que ele pudesse se programar no dia a dia. Além disso, o espaço fica em uma posição estratégica na empresa, onde consegue ter contato com várias equipes.

“As mudanças necessárias e adaptações nunca foram tratadas como big deal. Isso sempre foi parte do processo de abordagem de qualquer profissional. Sinto que não recebi nenhum aporte diferente, pois é exatamente assim que acontece com qualquer um que entra na empresa, tendo necessidade especiais ou não, todos recebem um fit dedicado”, analisa Granzotti.

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