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Focus: projeção do mercado para a inflação recua para este ano, mas cresce para 2027

Estimativas para a taxa de juros para o fim deste ano se mantiveram em 13,75% pela quarta semana seguida

31 ago 2026 - 09h28
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Resumo
Segundo o Boletim Focus, a projeção da inflação deste ano recuou levemente para 5,01%, ainda acima do teto da meta, enquanto a de 2027 subiu para 4,28%. As estimativas para o IPCA de 2028 e 2029 ficaram estáveis em 3,8% e 3,5%. Paralelamente, as previsões para a taxa Selic foram mantidas em 13,75% para o fim de 2026 e 12% para 2027, refletindo a cautela do Copom na condução da política monetária diante do cenário de incertezas, após a taxa básica ser recentemente reduzida para 14% ao ano.

BRASÍLIA - As projeções do mercado financeiro para a inflação deste ano voltaram a apresentar uma pequena queda na pesquisa Focus, do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, 31. O número caiu de 5,02% na semana passada para 5,01% agora, ainda acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. As estimativas para o IPCA de 2027, porém, tiveram um novo aumento: de 4,25% para 4,28%.

A mediana do Focus para a inflação de 2028 se manteve em 3,8% pela quinta semana seguida. Para 2029, seguiu em 3,5%, pela 52.ª semana consecutiva.

No início de agosto, o Banco Central ajustou suas projeções para o IPCA de 2026, de 5,2% para 5,1%, e de 2027, de 3,7% para 3,8%. As estimativas constam no comunicado da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado manteve a projeção para a inflação acumulada em 12 meses no 1.º trimestre de 2028 em 3,2%. O período se tornou o horizonte relevante da política monetária nesta reunião.

Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

Expectativa para os juros mantida

A expectativa dos analistas do mercado financeiro para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 13,75% pela quarta semana consecutiva. Já a estimativa intermediária para o fim de 2027 ficou estável em 12% pela 11.ª semana seguida.

No início de agosto, o Copom reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.

Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou um "ciclo de calibração" da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.

"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o colegiado na ata da reunião.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,5% pela nona semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10% pela 17.ª semana consecutiva.

Estadão
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