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FMI alerta países contra subsídios aos combustíveis para lidar com o choque de energia provocado pela guerra

15 abr 2026 - 11h10
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A guerra no Oriente Médio ‌intensificou as tensões sobre uma situação fiscal global já frágil, com taxas de juros mais altas e aumento dos preços da energia alimentando pedidos de suporte dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento, disse o Fundo Monetário Internacional nesta quarta-feira em seu relatório Monitor Fiscal.

Rodrigo Valdes, o novo chefe de ⁠assuntos fiscais do FMI, disse que os países deveriam evitar subsídios aos combustíveis ‌para ajudar seus cidadãos a lidar com a escassez de petróleo e o correspondente aumento nos preços da energia. Transferências de dinheiro temporárias e direcionadas ‌que não mascarem os preços mais altos seriam ‌uma opção muito melhor, disse ele.

"Não temos petróleo. Não temos energia. ⁠A energia precisa ser mais cara para todos, para que o ajuste aconteça e consumamos menos", disse Valdes à Reuters em uma entrevista.

Na terça-feira, o FMI reduziu sua perspectiva de crescimento global devido aos picos dos preços de energia provocados pela guerra e às interrupções no fornecimento, alertando que a economia ‌global pode ser levada à beira da recessão se o conflito piorar e ‌o petróleo permanecer acima de ⁠US$100 por barril ⁠até 2027.

"Você pode passar por isso (preços mais altos de energia) e depois fazer outras coisas ⁠para ajudar", disse Valdes. "Trata-se de um ‌choque global e, se os ‌países suprimirem o sinal de preço, o preço global será mais alto... É muito importante dar sinais de preço para que a demanda possa se ajustar."

Valdes disse que os controles de exportação, a extensão dos ⁠danos à infraestrutura de energia e a capacidade de outros países de aumentar a produção de petróleo moldarão a avaliação do impacto da guerra e suas implicações.

Depois que as condições se estabilizarem, ele disse que é fundamental que os países mantenham o foco nos ‌desafios de longo prazo, já que a dívida pública continua a aumentar, impulsionada pela expansão dos gastos permanentes em programas sociais ou pela redução das ⁠receitas, principalmente em algumas das maiores economias.

A dívida pública global atingiu 93,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, um aumento de quase dois pontos percentuais em relação aos 92% do ano anterior, e deverá atingir 100% do PIB em 2029, um ano antes do previsto há apenas um ano, de acordo com o último Monitor Fiscal do FMI.

Isso representaria o maior ônus da dívida pública desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial, segundo o relatório. A expectativa é de que a dívida pública continue aumentando e possa chegar a 102,3% do PIB até 2031, acrescentou.

Os pagamentos de juros também cresceram acentuadamente, atingindo quase 3% do PIB em 2025, em comparação com 2% há quatro anos, disse o FMI.

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