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Estrangeiros gostam do Brasil: Somos um 'poço de gerar dólar', diz Stuhlberger

Por produzir commodities como minério de ferro e petróleo e ter potencial de abrigar data centers de IA, o Brasil atrai fluxo positivo de investimento, diz o CEO da Verde Asset e gestor do Fundo Verde

2 jun 2026 - 21h26
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Enquanto o patrimônio investido pelos brasileiros está, em sua maioria, alocado em ativos domésticos, devido principalmente aos juros elevados e também a investimentos isentos de tributação, os estrangeiros gostam do Brasil porque "somos um poço de gerar dólar", afirmou nesta terça-feira, 2, Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset e gestor do Fundo Verde.

Por produzir commodities como minério de ferro e petróleo e, ainda, ter potencial de abrigar data centers de inteligência artificial, o Brasil tem um fluxo positivo de investimento vindo de fora, diz Stuhlberger.

'Ainda me estranha o baixíssimo dinheiro fora do Brasil que os brasileiros possuem', diz Stuhlberger
'Ainda me estranha o baixíssimo dinheiro fora do Brasil que os brasileiros possuem', diz Stuhlberger
Foto: Iara Morselli/Estadão / Estadão

"Temos dicotomia de ter um negócio que é razoavelmente equilibrado no curto prazo, mas que, no longo prazo, de fato, é perigoso", disse o gestor, referindo-se ao desafio fiscal do País, ao participar de live promovida pela corretora Avenue.

Assim, afirmou ele, "ainda me estranha o baixíssimo dinheiro fora do Brasil que os brasileiros possuem". "Temos um CDI (Certificado de Depósito Interbancário, a taxa de juros que os bancos cobram ao emprestar dinheiro entre si) que é maravilhoso, juro real de 9%, duration de um dia, bancos sólidos", apontou.

O profissional mencionou, ainda, o mercado de ativos isentos de tributação, que atrai investidores locais e já alcança cerca de R$ 3 trilhões, embora tenha perdido fôlego no período recente.

Trégua no horizonte

Sobre a guerra no Oriente Médio, Stuhlberger disse considerar uma trégua até o início da Copa do Mundo de 2026. A partida de abertura do evento esportivo, sediado nos Estados Unidos, México e Canadá, ocorrerá no dia 11.

Stuhlberger avaliou que a pausa no confronto se estenderia, ao menos, até as eleições de meio de mandato nos EUA, que ocorrem em 3 de novembro. Isso porque, ao contrário de outros conflitos, que aumentaram a popularidade dos presidentes em exercício, o atual é a que trouxe menor aprovação para a administração Trump, observou o gestor.

"Se algo não for feito, o Partido Republicano corre o risco de perder a House (Câmara dos Deputados) e o Senado", alertou. Ele ainda cogitou, em um cenário hipotético, a seleção iraniana em campo nos EUA e ovacionada por opositores do governo Trump, como os democratas.

Sobre os impactos econômicos da guerra, além da pressão fiscal em diversos países, que elevaram gastos com defesa, Stuhlberger avaliou que o efeito maior se deu sobre a inflação, mais do que na atividade, embora o mundo não esteja "inflacionista".

"Há inflação de petróleo e bens industriais, mas salários e aluguéis estão sob controle e vivemos em mundo onde a Ásia é grande exportador de deflação", observou.

Estadão
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