Fitch rebaixa Enel Brasil por risco de perda da concessão de distribuição em São Paulo
A Fitch rebaixou o rating de crédito da Enel Brasil, subsidiária do grupo italiano Enel, citando a crescente incerteza sobre a renovação contratual da principal concessão de distribuição de energia da empresa no país sul-americano.
A agência informou na noite da sexta-feira que atribuiu uma perspectiva negativa a todos os ratings corporativos da unidade.
A Fitch cortou o rating nacional de longo prazo da Enel Brasil S.A. de AAA(bra) para AA+(bra) e retirou sua observação negativa.
O rebaixamento também se aplica às subsidiárias de distribuição de energia Enel São Paulo, Enel Rio e Enel Ceará.
No início deste mês, a agência reguladora do setor elétrico do Brasil iniciou um processo administrativo que poderá culminar na caducidade da concessão de energia da Enel em São Paulo, cujo contrato expira em 2028, citando supostas "falhas estruturais" na prestação de serviços após eventos climáticos extremos nos últimos anos.
"O rebaixamento reflete o maior risco de não renovação da concessão da Enel SP, principal ativo do grupo no Brasil, após a abertura de processo regulatório que pode levar à recomendação de caducidade", disse a Fitch, em nota.
A Enel tem outra oportunidade de apresentar sua defesa antes que o órgão regulador decida se recomendará ao governo federal que a concessão seja encerrada.
A Fitch disse que uma eventual perda da concessão enfraqueceria significativamente a eficiência operacional e a rentabilidade da Enel Brasil.
O grupo italiano tem ativos no valor de cerca de 3,34 bilhões de euros e 595 milhões de euros em ágio vinculados a uma concessão de energia no Brasil que pode perder, disseram os auditores da Enel no relatório anual do grupo.
Em dezembro de 2025, a dívida com terceiros da Enel São Paulo era de R$8,4 bilhões, equivalente a 47% da dívida consolidada da Enel Brasil. A Fitch disse que a perspectiva pode piorar se a concessão não for renovada ou for encerrada.
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