Fim da escala 6x1 seria melhor com transição e pesa sobre empresas menores e alavancadas, diz XP
Para a corretora, período de adaptação permitiria que empresas repassassem gradualmente a pressão de custos aos preços
Com a possível revisão da jornada de trabalho ganhando tração no Congresso em 2026, a XP reitera que a medida tende a representar um impacto relevante para o varejo. Segundo a corretora, com base nos números de 2025, um eventual aumento de custos de mão de obra pode pressionar resultados do setor. Ao mesmo tempo, uma transição poderia mitigar parte dos efeitos. Segundo a XP, o período de adaptação permitiria que as empresas repassassem gradualmente a pressão de custos aos preços.
Em relatório, os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer observam o debate avançando de forma consistente e apontam que o tema virou prioridade do governo no período que antecede as eleições presidenciais. Em 22 de abril, a Câmara aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que agora segue para comissão especial antes de ir a plenário.
Ao buscar referências no exterior, os analistas afirmam que uma mudança simultânea na carga horária semanal e no regime de trabalho é algo sem precedentes. A XP destaca que, na maioria dos casos, o gatilho para revisões desse tipo esteve associado a taxas elevadas de desemprego. A corretora afirma ainda que os países, em geral, focaram ou na redução de horas semanais ou na mudança do regime de trabalho, já que combinar as duas medidas seria um desafio relevante para as empresas.
A corretora também aponta que a maior parte, se não a totalidade, dos países que reduziram a carga horária semanal flexibilizou outras regras trabalhistas. A avaliação é que isso forneceu instrumentos para que as empresas administrassem o consequente aumento de custos de mão de obra.
O trio de analistas estimou que, assumindo aumento de 10% nos custos e nenhum repasse de preços, o Ebitda e o lucro líquido cairiam, em média, entre 8% e 17%, respectivamente. Na avaliação da XP, empresas com maior diversificação internacional, como SmartFit ou Mercado Livre, ou com margens mais elevadas, como Vivara, Vulcabras, Lojas Renner, tenderiam a ser menos afetadas. Já aquelas com menores margens de Ebitda, como varejo farmacêutico e alimentar, e mais alavancadas, seriam as mais impactadas.
A XP reconhece que o modelo proposto — 40 horas semanais e escala de cinco dias — é predominante em economias desenvolvidas e pode servir como benchmark de longo prazo. Ainda assim, afirma que as características da economia e do mercado de trabalho brasileiros precisam ser consideradas com cuidado. Por isso, a corretora diz que, se a mudança for aprovada, um período de transição será crítico.
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