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Eurasia alerta para impacto nos bancos após EUA enquadrarem PCC e CV como terroristas

Consultoria avalia que impacto econômico no Brasil será moderado, mas compliance bancário deve aumentar após decisão dos EUA

5 jun 2026 - 22h09
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Os impactos para o Brasil da designação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas (FTO, na sigla em inglês) pelos Estados Unidos devem ser "modestos", mas os custos com compliance, especialmente dos bancos, que terão que monitorar mais as transações e contrapartes envolvidas, vão aumentar, avalia a consultoria de risco político Eurasia, com sede em Washington. No México, três bancos de menor porte tiveram de fechar após sanções da Casa Branca.

A consultoria avalia como "altamente improvável" ações militares dos EUA em território brasileiro. "Embora os custos de compliance para o setor privado estejam prestes a aumentar, designações anteriores de FTOs em outros países sugerem que as repercussões serão modestas", comenta em relatório nesta sexta-feira, que avaliou os efeitos em seis países da América Latina que têm grupos classificados como terroristas: Colômbia, Haiti, Equador, El Salvador, Venezuela e México.

O Brasil deve ficar em um meio-termo entre o México, onde os impactos da designação dos cartéis locais como terroristas pelos EUA foram mais severos, e El Salvador, onde foram mais suaves, porque o país mostrou cooperação bilateral completa com a Casa Branca, avalia a Eurasia.

Organizações criminosas PCC e CV foram classificados como terroristas pelo governo dos Estados Unidos
Organizações criminosas PCC e CV foram classificados como terroristas pelo governo dos Estados Unidos
Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo / Estadão

No caso dos bancos, o aumento dos custos das áreas de compliance será impulsionado pela necessidade de uma triagem mais rigorosa de transações, uma investigação (due diligence) mais forte das contrapartes envolvidas nas operações e um aumento nos registros de relatórios de atividades suspeitas, ressalta a consultoria americana.

Além dos bancos, a Eurasia ressalta que as empresas dos setores de energia, infraestrutura, construção, logística, agronegócio e mineração vão precisar avaliar se alguma parte de suas operações está indiretamente exposta às FTOs.

"As investigações dos EUA contra organizações criminosas vão avançar, mas qualquer ação contra entidades brasileiras é improvável antes das eleições de outubro; ainda assim, o risco de processos para entidades que transacionam com FTOs aumentará estruturalmente", avalia a Eurasia.

A Eurasia divide os efeitos de ter uma "organização terrorista" dentro de um país em três frentes: econômica, militar e política. No México e na Venezuela, foram onde os efeitos foram mais severos no campo econômico.

No México, houve a classificação de três instituições financeiras — CIBanco, Intercam e Vector Casa de Bolsa — por lavagem de dinheiro para cartéis, o que resultou na proibição de transações delas com o sistema financeiro dos EUA, e acabaram encerrando suas operações. Além disso, houve incursões de drones em seu território, operações unilaterais de inteligência dos EUA, deportações e o alvo em políticos.

No Brasil, a Eurasia alerta que as investigações americanas podem afetar instituições financeiras que tenham alguma ligação com o crime organizado. O relatório ressalta que bancos e fintechs não podem correr esse risco e se dar ao luxo de arriscar serem cortados do sistema de compensação em dólares ou de relações de correspondência bancária com os EUA.

Sem efeito relevante no investimento estrangeiro

Os países da América Latina que abrigam FTOs, incluindo aqueles sujeitos a um escrutínio mais intenso dos EUA, como o México, não mostraram sinais de que o investimento estrangeiro direto tenha sofrido, afirma a Eurasia. "A ação econômica mais séria dos EUA contra instituições financeiras mexicanas focou em bancos menores, o que limitou uma disrupção financeira mais ampla."

Estadão
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