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EUA sancionam brasileiros e empresas no Brasil por suposto elo com PCC

Com decisão, todos os bens e interesses dos alvos sob jurisdição dos EUA ficam bloqueados, e cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de realizar transações com sancionados; Estadão busca contato com defesas dos sancionados

1 jul 2026 - 12h40
(atualizado às 13h16)
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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1º, sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), apontado pelo governo americano agora como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, com atuação também no Reino Unido, Turquia e Japão.

Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), o grupo explorava o sistema financeiro dos EUA para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas.

Segundo o governo norte-americano, grupo sancionado explorava o sistema financeiro dos EUA para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas
Segundo o governo norte-americano, grupo sancionado explorava o sistema financeiro dos EUA para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas
Foto: Milton Michida/Estadão / Estadão

Entre os sancionados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelo Tesouro como líder do núcleo paulista da rede e elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. De acordo com o comunicado, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os valores ao Brasil. Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita como colaboradora próxima de Shimada. A reportagem tenta contato com a defesa dos alvos da sanção.

As medidas também atingem as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. Com a decisão, todos os bens e interesses dos alvos sob jurisdição dos EUA ficam bloqueados, e cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de realizar transações com eles.

O Tesouro afirmou ainda que, em janeiro de 2025, Shimada chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil porque a Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.

Embora o comunicado não cite nominalmente o Corinthians, a empresa de Shimada aparece nas investigações do caso "Vai de Bet", que apura um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio do clube. Segundo denúncia do Ministério Público paulista, a Victory Trading foi a última empresa pela qual passaram recursos antes do repasse à UJ Football, também investigada no caso.

O Ofac destacou que esta é a terceira rodada de sanções contra o PCC desde 2021 e afirmou que a organização representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos EUA devido à sua atuação em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e contrabando de dinheiro em espécie.

Estadão
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