ETFs de Tesouro Selic e Tesouro IPCA+: entenda como funcionam e para quem fazem sentido
A renda fixa ganhou novas formas de acesso nos últimos anos. Além da compra direta de títulos públicos pelo Tesouro Direto e dos fundos tradicionais, investidores passaram a contar com ETFs de renda fixa, fundos negociados em bolsa que permitem exposição a uma carteira de ativos por meio da aquisição de uma única cota.
Entre as estratégias disponíveis estão os ETFs ligados a títulos públicos, que podem combinar papéis pós-fixados atrelados à Selic e títulos indexados à inflação, conhecidos como Tesouro IPCA+. Esses produtos buscam oferecer praticidade, transparência e eficiência tributária para diferentes perfis de investidores.
Um exemplo é o CDIB11, ETF da Itaú Asset que busca refletir o desempenho do Índice Teva ITBR Selic IPCA Target 800. O índice acompanha uma carteira composta por títulos públicos federais, incluindo Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), atreladas à Selic, e Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-Bs), que oferecem uma remuneração prefixada mais a variação do IPCA.
Segundo Rodrigo Araujo, head de ETFs da Itaú Asset, a principal característica desses produtos é permitir que o investidor tenha acesso a uma estratégia de renda fixa por meio de uma única cota.
"Um ETF de renda fixa atrelado ao Tesouro Selic e ao Tesouro IPCA+ é um meio de investimento em uma carteira de títulos públicos. No caso do CDIB11, a maior parte está aplicada em Tesouro Selic, com um complemento em Tesouro IPCA+ de prazo longo para garantir o enquadramento tributário de 15%. O investidor compra uma única cota e, com ela, passa a ter acesso automático a toda a estratégia", afirma.
Como funciona um ETF de Tesouro Selic e Tesouro IPCA+?
Um ETF de renda fixa funciona como um fundo de índice. Ao comprar uma cota negociada em bolsa, o investidor passa a ter exposição a uma carteira de ativos definida por uma metodologia específica, sem precisar comprar cada título individualmente.
No caso do CDIB11, o fundo busca acompanhar o Índice Teva ITBR Selic IPCA Target 800, que tem como objetivo refletir o retorno total de uma carteira formada por LFTs e NTN-Bs disponíveis para negociação e que atendam aos critérios de liquidez definidos pelo índice.
Na prática, as LFTs oferecem exposição à variação da taxa Selic, enquanto as NTN-Bs combinam uma taxa prefixada com a inflação medida pelo IPCA, característica que pode ser interessante para investidores que buscam proteção do poder de compra no longo prazo.
ETF de renda fixa x fundo tradicional: quais as diferenças?
Apesar de ETFs e fundos tradicionais poderem cumprir funções semelhantes dentro de uma carteira, a estrutura de cada produto traz diferenças importantes.
Os ETFs são negociados em bolsa, possuem transparência diária dos ativos que compõem a carteira e não estão sujeitos ao come-cotas, mecanismo de antecipação do Imposto de Renda presente em alguns fundos.
Além disso, produtos como o CDIB11 possuem tributação fixa de 15% sobre o ganho de capital.
"Comparado a um fundo tradicional, os dois podem cumprir funções parecidas do ponto de vista de estratégia, mas algumas características do ponto de vista de estrutura podem fazer a diferença. O ETF oferece negociação em bolsa, transparência diária dos ativos que compõem a estratégia, ausência de come-cotas, sem IOF e IR fixo de 15%", explica Araujo.
Para o executivo, a combinação desses fatores pode favorecer investidores que valorizam eficiência tributária, simplicidade operacional e flexibilidade.
Para quem faz sentido investir em um ETF de renda fixa?
Os ETFs de títulos públicos podem ser utilizados por diferentes perfis de investidores. Entre os usos possíveis estão a composição da parcela conservadora da carteira, a gestão de recursos de liquidez e a manutenção de capital enquanto o investidor aguarda novas oportunidades em outras classes de ativos.
"O CDIB11 atende diferentes usos por parte do investidor. É especialmente interessante para quem quer administrar a reserva de liquidez, montar a parcela mais conservadora da carteira ou manter recursos em um investimento de baixo risco, sem abrir mão de eficiência tributária. Também funciona como instrumento de alocação tática: um lugar eficiente para deixar o capital enquanto o investidor aguarda oportunidades em outras classes de ativos", afirma.
Apesar de serem compostos por títulos públicos, ETFs de renda fixa não são investimentos livres de oscilações. Como os preços dos títulos podem variar conforme as expectativas para juros e inflação mudam, o valor da cota pode sofrer alterações ao longo do tempo.
Por isso, a escolha entre os ETFs de renda fixa deve considerar o horizonte de investimento e o objetivo do investidor dentro da carteira.
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