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Empreendedorismo feminino ainda sofre com baixo faturamento

Informalidade e ausência das mídias digitais ainda são desafios, segundo pesquisa

19 nov 2022 - 01h00
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O Brasil ocupa o 7º lugar no ranking mundial de empreendedorismo feminino, segundo dados da Global Entrepreneurship Monitor, com 30 milhões de mulheres que gerenciam o próprio negócio em nosso país. Entre os principais motivos para empreender, segundo um estudo recente da Rede Mulher Empreendedora, está a realização de um sonho, seguido da busca por independência financeira e crescimento profissional. 

Entre os desafios revelados pela pesquisa da Rede, estão o baixo faturamento, informalidade e falta de conhecimento de tecnologias ― como utilização das mídias sociais, para alavancar os negócios. 

Ser mulher empreendedora não é fácil

No quesito faturamento, ser mulher empreendedora no Brasil não fácil. Segundo a pesquisa da Rede Mulher Empreendedora, 63% das empreendedoras ganham até R$ 2.500. Em contrapartida, a porcentagem de homens que fatura mais do que esse valor e até mais ― acima de R$ 10 mil reais ― totaliza 50%. Enquanto que o percentual de mulheres nessa análise é de 38%. 

A educadora financeira Aline Soaper, que começou a empreender aos 18 anos no Complexo do Alemão, favela da Zona Norte do Rio, e que hoje fatura R$ 5 milhões ao ano com uma escola de educação financeira online, relata que a trajetória não foi nada fácil. Soaper ressalta que nesse mercado de finanças, ainda dominado por homens, é uma quebra de barreiras ser uma mulher de sucesso e que fatura alto.

Aline Soaper
Aline Soaper
Foto: Divulgação

“Sempre fomos de uma família com poucos recursos financeiros. Meu pai tinha um fusca furado, no qual precisávamos levantar os pés quando passava em uma poça. Ele trabalhava para termos melhores condições. Esse sempre foi o foco e eu quis o mesmo. Foi aí que pedi para meu pai comprar os materiais e comecei a fazer os carimbos, aos 17 anos. Depois de três anos consegui comprar o meu primeiro carro, usado. Depois disso eu nunca parei de empreender. Tive uma gráfica expressa, depois a um escritório de advocacia ― quando eu tinha acabado de me formar em Direito ― virei sócia de uma escola de educação infantil, até que decidir investir no universo da educação financeira de forma 100% online”, diz ela. 

“Além de ajudar as pessoas, eu queria ganhar meu dinheiro. Com isso, nunca tive medo de começar do zero, sempre quis saber como as coisas funcionavam. Se desse errado? Começava de novo em outro canto. A área de finanças ainda é dominada por homens, mas muitas de nós estamos mostrando nossa capacidade. O reflexo está no resultado que nós tivemos na B3, com a marca de 1 milhão de investidoras em 2021”, comemora Aline Soaper.

Informalidade vira barreira para as empreendedoras

A informalidade também é uma das barreiras para as empreendedoras no Brasil. A pesquisa da Rede Mulheres Empreendedoras mostrou que o percentual de mulheres que não possuem CNPJ nos estados varia: 41% no Sudeste, 43% no Sul, 49% no Centro-Oeste, 63% no Nordeste e 75% na região Norte. 

A administradora Valéria Fernandes, depois de 10 anos atuando sob o regime CLT, decidiu empreender e hoje, capacita outras mulheres que também querem ter o próprio negócio na área de assistência financeiro virtual. 

Valéria Fernandes
Valéria Fernandes
Foto: Divulgação

Nesse empreendimento, Valéria enxergou a oportunidade de atender em especial os Microempreendedores Individuais (MEI), que muitas vezes não tem condições de arcar com os custos de pagar um funcionário com conhecimento e especialização para cuidar do planejamento financeiro. A administradora explica que a formalização dos negócios é uma etapa importante para o sucesso.

“A formalização dá as empreendedoras, oportunidades de negócios com outras micro e pequenas empresas, que precisam da nota fiscal e um contrato formal para justificar em seus faturamentos, a contratação de serviço, por exemplo. Além disso, fornece respaldo fiscal sobre essa contratação”, diz ela.

“Também há outros benefícios como a redução do pagamento de importo de renda, como pessoa física, e acesso a benefícios governamentais como o INSS. Se a empreendedora se formaliza como um MEI, por exemplo, ela pode ter acesso aos benefícios mínimos como, a licença maternidade e licença saúde. Então a formalização é um meio de assumir o papel de empresária, dona de um negócio, que se esforça para fazer o empreendimento crescer”, explica Valéria.

A força das mídias sociais

A pesquisa da Rede Mulheres Empreendedoras revelou ainda que 9 em cada 10 mulheres utilizam as mídias sociais tanto para os negócios quanto nas horas vagas, em momentos de lazer. No entanto, entre as que não utilizam em seus empreendimentos, as principais justificativas são a falta de entendimento e a compreensão de que a presença digital é importante para os negócios.

Tathiane Deândhela comprova em números que as mídias sociais podem alavancar os negócios: somente no Instagram, seus posts alcançam mais de 46 mil pessoas diariamente. Muito antes do sucesso, com apenas sete anos de idade, ela já empreendia: vendia na escola amostras de cosméticos que ganhava da avó. Chegou a comercializar bijuterias, semijóias, roupas, chocolates artesanais, e até mesmo colchões para conseguir uma renda extra para sua família. 

Quando entrou na faculdade, trabalhou como freelancer em shoppings e até representante de marcas em eventos. Terminou a graduação e ingressou no primeiro MBA, em Marketing, e começou a atuar na área de vendas em uma rede de ensino superior. 

Tathiane Deândhela
Tathiane Deândhela
Foto: Divulgação

Dedicou-se até se tornar gerente nacional e ficar responsável por 27 unidades na mesma rede de ensino superior. Veio a demissão, causada por conflitos internos no perfil de gestão, e o empreendedorismo virou mais que apenas um desejo, mas uma necessidade. Ela investiu tudo o que tinha conquistado na carreira corporativa para dar início ao Instituto Deândhela.

“O primeiro ano foi péssimo e desgastante. O Instituto teve prejuízo durante todos os meses, porque eu não calculei bem alguns gastos. Foquei em metas erradas. Achei que podia aplicar a realidade em que trabalhava, na instituição de grande porte, numa empresa recém-inaugurada e de pequeno porte. Depois de dois anos, o Instituto sobrevivia, mas fiquei doente e me vi em um beco sem saída, já que o negócio era eu. Foi então que eu resolvi mergulhar de cabeça no digital. Tudo que tinha para investir, eu pagava”, lembra ela. 

“Cheguei a perder R$ 50 mil para uma agência de marketing que prometeu o mundo e não me entregou nada. Depois disso, eu dei um basta. Comecei do zero novamente. Aprendi tudo que tinha sobre marketing digital. Mas não foi fácil, eu tinha grande dificuldade com tecnologia. Achava que não era pra mim esse negócio. Mas eu me capacitei, fiz cursos na área, investi em mentores e agências de marketing sérias. Presença digital é fundamental para quem é empreendedor. Está todo mundo conectado. É a velha máxima: quem não é visto não é lembrado”, finaliza Deândhela.

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