Dólar supera R$5,25 com continuação do conflito no Oriente Médio
Após a queda firme da véspera, o dólar voltou a subir no Brasil nesta terça-feira, para acima dos R$5,25, em um dia negativo para as moedas de países emergentes em meio à continuação do conflito no Oriente Médio.
No início da tarde, o Banco Central realizou uma operação cambial, aumentando a liquidez no mercado à vista, mas ainda assim a moeda norte-americana encerrou a sessão em alta.
O dólar à vista fechou com elevação de 0,25%, aos R$5,2549. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,26%.
Às 17h03, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,28% na B3, aos R$5,2610.
Na segunda-feira o dólar havia fechado com baixa superior a 1%, após o presidente dos EUA, Donald Trump, citar conversas com o Irã e adiar por cinco dias ataques a usinas do país.
Nesta terça-feira, porém, o cenário era diverso, com o Irã lançando mísseis contra Israel e voltando a negar qualquer negociação com os norte-americanos.
Com o Estreito de Ormuz ainda sob a mira do Irã, o petróleo tipo Brent voltou a superar os US$100 o barril, reforçando os receios sobre os impactos inflacionários nos países. Os rendimentos dos Treasuries também subiam diante da perspectiva de juros mais altos nos EUA.
Já o dólar sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o peso mexicano e o peso chileno.
"O dólar voltou a operar em alta, refletindo a deterioração do ambiente de risco global diante da incerteza sobre a efetividade das negociações entre Estados Unidos e Irã", resumiu à tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
"A ausência de sinais concretos de desescalada, combinada com declarações mais duras por parte de autoridades iranianas e a continuidade dos ataques na região, levou o mercado a reprecificar um cenário de conflito mais prolongado", acrescentou.
No início da tarde, o BC vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), em operação que representou a injeção de recursos novos no mercado à vista, melhorando a liquidez. Ainda assim, o dólar se manteve em alta ante o real.
O dólar à vista marcou a cotação máxima intradia de R$5,2814 (+0,75%) às 9h38, ainda na primeira hora de negócios, e às 14h49, já após o leilão de linha.
Pela manhã, os agentes também se debruçaram sobre a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano.
No documento, o BC afirmou que "a magnitude e a duração do ciclo de calibração (da Selic) serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises".
Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve a divisão sobre o que o BC anunciará no fim de abril: nova redução de 25 pontos-base da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente Médio.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
Às 17h09, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,25%, a 99,424.