Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Boulos critica 'ganância' de plataformas e acena a trabalhadores em relatório final de apps

Texto sugere valor mínimo de R$ 10 por serviço, acima dos R$ 8,50 propostos pelo relator da proposta que tramita na Câmara; ministro anunciou transparência nos preços de corridas e entregas

24 mar 2026 - 17h22
Compartilhar
Exibir comentários

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, divulgou nesta terça-feira, 24, o relatório final do grupo de trabalho sobre entregadores por aplicativos com críticas à "ganância" das plataformas e com discurso voltado aos trabalhadores, base eleitoral do governo Lula (PT).

O ministro também anunciou transparência na composição de preços de corridas e entregas, em uma medida assinada nesta quarta pela Secretaria Nacional do Consumidor.

Governo divulga relatório de grupo de trabalho de entregadores por aplicativos
Governo divulga relatório de grupo de trabalho de entregadores por aplicativos
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

O texto traz propostas de alteração ao projeto que tramita na Câmara dos Deputados sob relatoria do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). Além de Boulos, o evento contou com a participação do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e da Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

O relatório sugere delimitar o alcance da lei exclusivamente aos serviços de transporte de passageiros e coleta e entrega de bens.

Além disso, propõe a elevação do piso por serviço para R$ 10 --o relatório de Coutinho estabelece R$ 8,50 e ele já deu sinais de que não pretende alterar esse valor. No texto, GT afirma que o valor garantiria "o atendimento da reivindicação da categoria e que a retribuição mínima seja compatível com os custos operacionais".

Na coletiva, o ministro Guilherme Boulos criticou a pressão das plataformas contra a proposta do governo e citou notícias falsas que circulam nas redes sociais e que falam em taxação.

"(As propostas) inclusive foram alvos de mentiras. Mentiras inescrupulosas que ninguém me tira da cabeça, Marinho, que essas mentiras têm o dedo das grandes plataformas por trás", afirmou.

"Essas mentiras que levam desinformação para a sociedade, que dizem que quando a gente está defendendo o ganho para os entregadores e para o motorista nós estamos defendendo taxa, imposto", criticou. "Essas mentiras servem a Uber, servem ao iFood, servem à 99, servem à Keeta, que querem manter tudo do jeito que está."

Boulos afirmou ainda que a proposta de mudança é para garantir que as plataformas tenham limites. "E o limite dela é o direito de trabalhador. O limite dela é a dignidade das condições de trabalho. É isso que tem que limitar a ganância dessas plataformas", disse.

Marinho endossou as críticas às plataformas e sugeriu que as plataformas têm interesse em manter o segmento sem regulamentação. "A quem interessa manter a situação assim como está? A quem interessa? Só às empresas. Como disse o ministro Boulos, elas alimentam, e acredito, como Boulos acredita, que elas financiam as mentiras, porque elas não desejam o processo de regulamentação. É disso que se trata", disse.

O relatório do grupo de trabalho também defende o pagamento integral de rotas agrupadas, proibindo a redução de valores para entregas múltiplas em uma mesma viagem.

O grupo de trabalho prevê um adicional por distância de R$ 2,50 por quilômetro rodado. Segundo o relatório, a medida busca compensar adequadamente custos operacionais variáveis, como combustível, desgaste do veículo e tempo adicional de deslocamento, evitando perdas financeiras ao trabalhador em trajetos mais longos.

"Quem enche o tanque e paga a gasolina é o motorista. Quem está no risco de sofrer um acidente, é o motorista. Quem tem que trocar o pneu é o motorista. Quem trabalha é o motorista", disse.

"O tempo é do motorista. E a Uber ficar com 40%, 50% de cada viagem... chamam isso de taxa de redenção. Para nós, isso é uma taxa de agiotagem, uma taxa de exploração dos trabalhadores."

No evento, Boulos anunciou uma parceria com o Banco do Brasil, via Fundação BB, com a Secretaria-Geral da Presidência para a implantação de pontos de apoio para entregadores e entregadoras de aplicativos.

O acordo prevê a criação de espaços físicos para apoiar o trabalho de entrega urbana, com banheiros, áreas de descanso, pontos de hidratação e recarga elétrica. A expectativa é implementar cerca de 100 pontos, com investimento estimado de R$ 24 milhões.

Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade