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Dólar tem alta forte reagindo a nova pesquisa eleitoral e exterior

23 set 2026 - 17h10
(atualizado às 17h36)
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Resumo
O dólar subiu 1,27% nesta quarta-feira, fechando a R$ 5,1689, impulsionado pelo cenário externo e pela política doméstica. No exterior, dados fortes da economia dos EUA elevaram a aposta em juros altos pelo Fed, fortalecendo a divisa globalmente. No Brasil, pesou a pesquisa Atlas/Bloomberg, que mostrou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno, reacendendo receios do mercado com o controle das contas públicas e levando investidores a buscarem proteção na moeda americana.

O dólar fechou a quarta-feira com alta ‌firme no Brasil, reagindo ao avanço da moeda norte-americana no exterior e a uma nova pesquisa eleitoral no Brasil mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperando vantagem numérica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,27%, a R$5,1689, o maior valor de fechamento desde 31 de agosto, quando marcou R$5,1814. No ano, a divisa passou a ⁠acumular baixa de 5,83%.

Às 17h04, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia ‌1,20% na B3, aos R$5,1715.

A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno na disputa pelo Planalto, contra 47,4% de Flávio. Como a margem de erro é de ‌1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico.

No entanto, o ‌resultado coloca Lula novamente na liderança numérica, já que no levantamento anterior o petista tinha ⁠46,8% e Flávio somava 47,2%.

Nas últimas semanas, a percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio vinha favorecendo o chamado "trade eleitoral", que se traduz no avanço do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros). Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

Assim, notícias não ‌tão favoráveis a Flávio -- como o leve fortalecimento de Lula no segundo turno da pesquisa Atlas/Bloomberg -- tendem a ‌trazer um viés de alta para ⁠o dólar.

"A nova pesquisa ⁠Atlas/Bloomberg mostrou Lula voltando à frente numericamente, ainda em empate técnico, e o mercado reagiu cobrando mais prêmio. Na minha ⁠opinião, o que está em jogo não é o ‌nome de quem vai ganhar, é ‌a trajetória da dívida", disse à tarde Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, em comentário escrito.

"Enquanto não houver um sinal claro de compromisso com as contas públicas, acredito que o investidor vai continuar exigindo juros mais altos para financiar o país e vai buscar proteção no dólar", ⁠acrescentou.

O cenário externo foi outro fator altista para as cotações nesta quarta-feira, com a moeda norte-americana ganhando força ante quase todas as demais divisas. Por trás do movimento está a perspectiva de nova alta de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, em meio aos impactos inflacionários da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Em outro sinal de pressão ‌inflacionária, a S&P Global informou pela manhã que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro. Esse foi o nível ⁠mais alto desde julho de 2021, após o resultado de 56,0 em agosto. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor privado.

Em reação, o dólar acelerou os ganhos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,1214 (+0,34%) às 10h30, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1769 (+1,43%) às 14h40. Depois, as cotações se mantiveram em níveis elevados até o fechamento.

Sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu no fim da manhã 30.000 contratos de swap cambial para 1º de outubro em operação de rolagem.

Também pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, disse que não espera grandes solavancos no câmbio diante das mudanças de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

À tarde o BC informou que saíram do Brasil US$7,078 bilhões líquidos em setembro até o dia 18.

Às 17h05, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,54%, a 101,090.

(Edição de Isabel Versiani)

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