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Dólar recua 0,25% com ajustes e fluxo em dia de parecer da PEC

24 nov 2021 18h53
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Depois de uma manhã volátil, com algumas trocas de sinal, o dólar à vista se acomodou ao longo da tarde em leve queda, na contramão do fortalecimento global da moeda americana diante da expectativa de antecipação da alta de juros nos Estados Unidos, sentimento reforçado hoje pela divulgação do índice de preços de gastos ao consumidor (PCE). Com mínima de R$ 5,5562 e máxima de R$ 5,6233, ambas registradas na etapa matutina, o dólar à vista fechou a sessão desta quarta-feira (24) a R$ 5,5948, em queda de 0,25%. Assim, a moeda americana acumula baixa de 0,91% em novembro, esboçando interromper uma sequência de dois meses de alta: 3,67% em outubro e 5,30% em setembro.

Nas mesas de operação, o desempenho do real é atribuído a ajuste de posições, em meio a apostas em aprovação da PEC dos Precatórios - cuja votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado deve ficar para o próximo dia 30 - e a fluxos pontuais de recursos. Operadores ressaltam que, a despeito da queda no mercado à vista, o dólar futuro para dezembro trabalhou em alta e com liquidez muito reduzida - o que refletiria ainda um ambiente de cautela entre os agentes.

O analista Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, atribui a máxima e a mínima da sessão ao longo da manhã ao vaivém em torno da PEC dos Precatórios e a dados da economia americana. "Na parte da tarde, perdeu força e voltou a cair com vendas no mercado à vista por parte de exportadores", afirma Esquelbek, em nota.

Pela manhã, o líder do governo e relator da PEC dos Precatórios no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), protocolou seu parecer, mantendo o limite para pagamento de precatórios e a mudança na regra de cálculo de gastos - o que deve abrir espaço de R$ 106,1 bilhões para gastos em 2022, ano das eleições presidenciais. Como já anunciado, o relator prevê Auxílio Brasil de caráter permanente, sem que seja necessário, contudo, apresentar fonte de financiamento, como exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Um ponto que chamou a atenção é que o parecer traz pontos do texto em separado, o que abre espaço para o fatiamento da PEC - ou seja, que partes já aprovadas pelos deputados sejam promulgadas, enquanto as eventuais alterações voltaram para a Câmara em uma proposta paralela. Houve pedido de vistas coletivo, mas o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, disse que a votação do texto na comissão será no dia 30, segundo determinação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Na avaliação do diretor de estratégia da Inversa Publicações, Rodrigo Natali, a manutenção dos pontos essenciais da PEC, com correção do cálculo do teto e limitação dos gastos com precatórios, dá visibilidade sobre o tamanho da folga no orçamento de 2022. "O mais importante é saber o quanto pode ser o gasto, e não exatamente em que o dinheiro vai ser gasto, se em emenda parlamentar ou Auxílio Brasil", diz Natali, ressaltando que "quanto mais cedo a PEC passar, melhor", já que diminui a incerteza e evita surpresas indesejadas.

Natali vê exagero no pessimismo de parte do mercado e destaca que boa parte da formação da taxa de câmbio no Brasil se deve a influência da escalada do dólar no exterior. Em comparação com o euro, por exemplo, o real tem se apreciado. "A cotação engana um pouco. A taxa está perto de R$ 5,60 porque a valorização do dólar lá fora foi muito forte", diz Natali, ressaltando que leitura recente de dados de atividade e inflação nos EUA - aliada à recondução de Jerome Powell à presidência do Fed - alimenta a expectativa de antecipação da alta de juros nos EUA.

No exterior, o DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes - operou em alta firme, atingindo os 96,938 pontos na máxima. A moeda americana também avançou em relação a divisas emergentes, incluindo pares do real, como o peso mexicano. A exceção foi a lira turca, que se recuperou em parte do tombo de ontem.

Pela manhã, saiu que o PIB dos EUA cresceu 2,1% no terceiro trimestre na margem, levemente abaixo de avanço de 2,2% previsto por analistas. Chamaram mais atenção os gastos com consumo e o PCE, o índice de referência de inflação do Federal Reserve. Os gastos avançaram 1,3% em outubro ante setembro, acima do esperado (1%). O PCE subiu 0,6% em outubro, com alta de 0,4% do núcleo. Na comparação anual, o índice avançou 5% e seu núcleo aumentou 4,1%.

A ata do encontro mais recente do Federal Reserve, divulgada à tarde, não provocou solavancos nos ativos domésticos. Segundo o documento, alguns dirigentes do BC americano preferiam um ritmo mais rápido de redução de volume de compras de bônus. Uma vez mais, o Fed afirmou que o 'tapering' não traz qualquer sinal em relação a ajuste nos juros. Mais cedo, a presidente da distrital do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, disse que não se surpreenderia se houvesse uma ou duas elevações da taxa básica de juros em 2022.

Amanhã, o mercado americano estará fechado por conta do feriado do Dia de Ação de Graças, o que pode ajudar a explicar a falta de apetite por negócios no mercado futuro hoje.

Estadão
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