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Dólar engata queda ante real com expectativa sobre pacote econômico dos EUA

25 mar 2020
09h15
atualizado às 14h21
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O dólar ampliava a mais de 1% a queda contra o real nesta sessão, aproximando-se do patamar de 5 reais, com os investidores otimistas após acordo alcançado entre autoridades dos Estados Unidos sobre um amplo pacote econômico, que será votado nesta quarta-feira.

14/11/2014
REUTERS/Gary Cameron
14/11/2014 REUTERS/Gary Cameron
Foto: Reuters

Às 14:15, o dólar recuava 1,21%, a 5,0208 reais na venda, enquanto o principal contrato de dólar futuro tinha queda de 1,62%, a 5,0195 reais.

Os senadores norte-americanos votarão nesta quarta-feira um pacote de legislação bipartidária de 2 trilhões de dólares para aliviar o impacto econômico devastador da pandemia de coronavírus, esperando que ele se torne lei rapidamente.

Os principais assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e republicanos e democratas sêniores disseram que concordaram com o projeto de lei sem precedentes nas primeiras horas desta quarta-feira, depois de uma maratona de cinco dias de conversas.

"É o maior pacote de ajuda da história", avaliou em nota a Levante Investimentos. "As medidas enviarão dinheiro diretamente a todos os cidadãos americanos, aumentarão os benefícios pagos aos beneficiados pelo seguro-desemprego e tornarão disponíveis 367 bilhões de dólares para pequenas empresas."

No exterior, após apresentar comportamento misto por boa parte da manhã, o dólar passava a cair ante divisas arriscadas, como peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano.

Ainda no radar dos investidores, na terça-feira o presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, de restrições impostas por governadores para a circulação de pessoas para conter o avanço do coronavírus e chamou novamente a pandemia de uma "gripezinha".

"A fala, na contramão do que tem sido pregado por técnicos da saúde e adotado por países ao redor do mundo, foi fortemente criticada também no campo político", comentou em nota a XP Investimentos. Recentemente, o conflito entre governos regionais e federal sobre as medidas de combate à pandemia foi apontado por analistas como fator desfavorável para a moeda brasileira.

"O pronunciamento vai na contramão dos esforços para apaziguar a relação entre Poderes e entre os entes federativos. Vai, inclusive, na contramão de sugestões de outras alas do governo, podendo criar desconforto interno", disse a Levante Investimentos. "Com o discurso, Bolsonaro demonstra sua real opinião sobre o tema e exagera na irresponsabilidade."

Já nesta quarta-feira, depois de uma reunião tensa com os governadores da Região Sudeste, o Palácio do Planalto cancelou uma declaração prevista do presidente Jair Bolsonaro, seguida de entrevista coletiva com ministros.

Na máxima do dia, antes de engatar queda, o dólar à vista chegou a tocar 5,1115 reais na venda.

Nesta sessão, o Banco Central voltou a intervir nos mercados, com leilão de até 3,3 bilhões de dólares para rolagem de linhas de dólares com compromisso de recompra que vencem no próximo dia 2. A autarquia vendeu o total da oferta. Na véspera, o BC não realizou leilões de câmbio.

"O Banco Central não está tentando estancar a alta (do dólar), só está tentando deixar o mercado mais tranquilo", disse à Reuters Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. "O BC vem agindo para dar a liquidez necessária no momento, não está preocupado se está vendendo barato ou caro."

No último pregão, o dólar spot caiu 1,10%, a 5,0821 reais na venda.

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