Czarnikow espera mercado "enxugar" para crescer em trading de energia no Brasil, diz diretor
A Czarnikow reduziu o risco de sua carteira de comercialização de energia no Brasil e aguarda a consolidação do setor para expandir suas operações. Em meio à crise que afeta comercializadoras locais por volatilidade e problemas de crédito, a multinacional foca em operações estruturadas. O diretor-geral da empresa destacou a necessidade de uma bolsa de energia com contraparte central para mitigar riscos e apontou a incerteza jurídica na recuperação de crédito como um dos principais desafios no país.
A Czarnikow está reduzindo o risco de seu portfólio de comercialização de energia elétrica no Brasil e vai aguardar um "enxugamento" do mercado para ampliar seus negócios na área, disse o diretor-geral da empresa no país, Tiago Medeiros, nesta quinta-feira.
O grupo, que tem forte atuação global no mercado de açúcar, está "aumentando bastante a barra de risco" do negócio de energia, disse o executivo, em meio a uma crise entre as empresas brasileiras do segmento de comercialização.
"Hoje o que a gente tem feito é tentado diminuir o risco do portfólio, a gente não tem posição proprietária em energia, nosso negócio é baseado em operação estruturada... A gente está aguardando o mercado enxugar. E vai enxugar mais, a gente acredita", disse Medeiros, durante evento do MegaWhat.
O setor de comercialização de energia no Brasil vive uma crise desde o ano passado, principalmente entre as empresas brasileiras de pequeno e médio porte, com problemas de crédito e alta volatilidade de preços de energia afetando comercializadoras que operavam muito alavancadas.
Isso, por outro lado, abriu uma oportunidade para grandes players globais, como Trafigura, StoneX e Macquarie, mostrou uma reportagem da Reuters.
O diretor-geral da Czarnikow avaliou ainda como "fundamental" a criação de uma bolsa de energia no Brasil, com o estabelecimento de uma contraparte central para as negociações, o que ajudaria a diminuir o risco e aumentar a liquidez das operações. Hoje, o mercado brasileiro de comercialização de energia funciona apenas como balcão, com negociações bilaterais entre os agentes.
Ainda segundo Medeiros, uma "surpresa" negativa que a Czarnikow encontrou desde 2020, quando iniciou suas operações no mercado brasileiro de comercialização de energia elétrica, foi o ambiente litigioso.
"O ambiente litigioso se mostrou muito, muito incerto dependendo do juiz que está julgando, dependendo da tese que o devedor coloca, e algumas decisões foram, assim, realmente muito estranhas. E dentro de casa fica difícil montar um modelo de risco onde você não sabe exatamente quais são as consequências e quais são as regras do jogo para um processo de recuperação de crédito. Mas ok, estamos aprendendo", afirmou.
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