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Coreia do Norte estreita laços com China e Rússia com pontes

1 out 2026 - 08h55
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Resumo
A Coreia do Norte se prepara para inaugurar a Nova Ponte do Rio Yalu com a China, concluída há uma década, logo após abrir uma ligação rodoviária com a Rússia. As obras ampliam rotas de transporte e comércio regional após o isolamento pandêmico. Estrategicamente, Pyongyang busca estreitar laços com Moscou e Pequim para obter ganhos econômicos e fortalecer sua influência geopolítica, mantendo o equilíbrio diplomático para preservar sua autonomia e evitar a dependência excessiva de um único aliado.

Novas rotas rodoviárias e ferroviárias entre países vão facilitar o comércio e o transporte na região. Conexões surgem em contexto de fortalecimento de relações entre países.Uma ponte que liga a Coreia do Norte à China poderá ser finalmente inaugurada no início de outubro, mas de uma década após ter sido concluída, em um contexto no qual Pyongyang vem expandindo as vias de transporte com a Rússia.

Segundo veículos de imprensa da Coreia do Sul, a Nova Ponte do Rio Yalu, que liga a cidade de Dandong, no nordeste da China, ao centro comercial de Sinuiju, no noroeste da Coreia do Norte, poderá ser inaugurada oficialmente até 6 de outubro, data que marca o 77º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Coreia do Norte e a China.

Uma análise publicada pelo centro de estudos americano 38 North revelou avanços significativos nas instalações alfandegárias, de imigração e de armazenamento no lado norte-coreano, onde as obras permaneceram praticamente inacabadas por anos.

A ponte rodoviária de quatro faixas se estende por mais de 3 quilômetros sobre o rio, com uma rede de vias de acesso que a conecta às áreas vizinhas.

O objetivo é aliviar a pressão sobre a envelhecida Ponte da Amizade Sino-Coreana, que recebe tanto tráfego rodoviário quanto ferroviário e continua sendo uma das rotas mais importantes entre a Coreia do Norte e a China, principal parceiro comercial de Pyongyang.

Pyongyang fortalece relações com Rússia e China

A esperada abertura da nova ligação com a China ocorre após a inauguração, em 7 de setembro, de uma ponte rodoviária sobre o rio Tumen, conectando a região de Rason, na Coreia do Norte, a Kazan, na região russa de Primorsky. Até então, a estreita fronteira terrestre entre os dois países era conectada por ferrovia, mas não por rodovia.

"A Coreia do Norte deixou a ponte chinesa sem uso por mais de uma década, mas agiu com mais pressa na ligação com a Rússia", afirma Han Ki-bum, ex-diretor adjunto do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, à DW.

Essa diferença, argumenta ele, fornece pistas sobre a estratégia de Pyongyang, que parece estar controlando deliberadamente o ritmo da melhoria de suas relações com Rússia e China para evitar voltar a depender excessivamente de Pequim.

"Se depender demais da China, como aconteceu no passado, a autonomia da Coreia do Norte poderá ser prejudicada", diz Han, acrescentando que Pyongyang busca aproveitar as boas relações tanto com a China quanto com a Rússia, ao mesmo tempo em que preserva uma certa independência.

O ex-funcionário do Ministério da Unificação acrescenta que a Rússia tem interesse em expandir as rotas de transporte pela Coreia do Norte em direção ao Pacífico, inclusive pelo porto de Rajin, enquanto Pyongyang poderia se beneficiar do aumento do comércio, do turismo e das oportunidades de enviar trabalhadores para a Rússia.

Ele aponta que a Rússia precisa da mão de obra norte-coreana e que os trabalhadores do país asiático seriam mais aplicados do que os colegas russos. A China, por sua vez, tem as próprias razões para garantir que a Coreia do Norte não se torne excessivamente dependente da Rússia, destaca Han. "Do ponto de vista da China, é preciso impedir que a Coreia do Norte se aproxime demais da Rússia", diz ele.

Os laços entre Moscou e Pyongyang vêm se fortalecendo desde 2023, quando a Coreia do Norte começou a fornecer armas e tropas para a guerra na Ucrânia. À medida que a relação estratégica entre a Rússia e a Coreia do Norte se aprofunda, a China vem tomando medidas para reafirmar-se como o principal parceiro de Pyongyang.

Para Ahn Chan-il, um ex-soldado norte-coreano que atualmente dirige o Instituto Mundial de Estudos sobre a Coreia do Norte, em Seul, as pontes criam implicações geopolíticas adicionais. "Pyongyang poderia agora aproveitar seus laços cada vez mais estreitos com a China e a Rússia, juntamente com o interesse de Donald Trump em dialogar com Kim, para fortalecer sua influência diplomática e adotar uma postura mais assertiva em relação à Coreia do Sul."

Reabertura lenta

Pyongyang praticamente fechou as fronteiras durante a pandemia da covid-19, reduzindo drasticamente o comércio e restringindo até mesmo a entrada de diplomatas estrangeiros.

Os trens de carga entre Dandong e Sinuiju foram retomados em 2022. Já os de passageiros, em 12 de março deste ano, restabelecendo o transporte ferroviário entre a Coreia do Norte e a China após seis anos.

Segundo Ahn, a futura inauguração da ponte será um evento de importância histórica. "A Nova Ponte sobre o Rio Yalu é, na prática, a primeira ponte moderna entre a Coreia do Norte e a China."

Planos para uma nova ponte ligando ambos os países remontam a 2009, quando o então primeiro-ministro chinês Wen Jiabao e autoridades norte-coreanas chegaram a um acordo sobre o projeto para aliviar a carga da Ponte da Amizade Sino-Coreana, construída em 1943. A construção da nova ponte teve início em 2011, financiada em grande parte por Pequim. A estrutura foi basicamente concluída em 2014. A inauguração foi dificultada por atrasos na construção de um centro alfandegário no lado norte-coreano.

Ahn acrescenta que essa abertura poder ser um sinal de que Pyongyang pretende avançar rumo a uma maior abertura econômica, mesmo que esse processo ocorra lentamente.

Ponte impulsiona comércio

Um ex-alto funcionário do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, que pediu para não ter o nome divulgado, aponta à DW que a retomada das relações comerciais também poderia beneficiar as províncias do nordeste da China: Liaoning, Jilin e Heilongjiang.

Antes de as sanções e a pandemia interromperem o comércio, as empresas da região importavam produtos norte-coreanos, incluindo frutos do mar, enquanto os produtos chineses circulavam na direção oposta. "Ambos os lados precisam disso", diz a fonte. A Coreia do Norte precisa de produtos chineses e de oportunidades para obter moeda estrangeira, enquanto algumas regiões do nordeste da China podem se beneficiar da retomada do comércio transfronteiriço, acrescenta.

Han, ex-funcionário dos serviços de inteligência da Coreia do Sul, prevê que a nova passagem vá acelerar a recuperação do comércio, levando-o aos níveis pré-pandêmicos. "A inauguração da ponte sobre o rio Yalu estimulará ainda mais o comércio entre a Coreia do Norte e a China", aponta.

A Coreia do Norte precisa especialmente de importações para a construção civil e a produção industrial, incluindo componentes para fábricas, afirma ele que, no entanto, acha difícil que vá ocorrer um boom comercial.

Segundo ele, o sistema comercial está cada vez mais centralizado por Pyongyang, com o Estado reforçando o controle sobre importações, em vez de permitir que fábricas e empresas individuais realizem atividades comerciais de forma mais independente. Além disso, a escassez de moeda estrangeira pode representar mais um obstáculo, diz ele, que destaca o forte aumento da taxa de câmbio não oficial do dólar americano na Coreia do Norte.

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