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Copom mantém Selic em 15% ao ano pela 2ª vez seguida e ainda não dá sinal de corte de juros

Decisão do colegiado foi unânime; comitê retira do comunicado a sinalização sobre a proxima reunião

17 set 2025 - 18h42
(atualizado às 19h26)
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BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom)doBanco Central decidiu nesta quarta-feira, 17, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, conforme esperava o mercado. A decisão do colegiado foi unânime.

Esta é a segunda reunião consecutiva em que a aautoridade monetária mantém o nível da Selic. De setembro de 2024 até a reunião de junho deste ano, o BC aumentou a taxa em 4,50 pontos, o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.

Sem sinalização

O Copom decidiu retirar do comunicado a sinalização sobre os próximos passos do colegiado - diferentemente do que fez em julho, quando antecipou claramente uma nova manutenção da taxa, confirmada nesta quarta-feira.

Em vez de sinalizar qualquer passo futuro, o colegiado apenas reforçou a sua postura "vigilante", e disse que os seus próximos passos podem ser ajustados.

"O comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado", diz o último parágrafo do comunicado.

O Copom afirmou que o cenário segue sendo marcado por "expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho".

"Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado", diz o comunicado.

Copom mantém Selic em 15% ao ano pela segunda vez seguida, em decisão unânime
Copom mantém Selic em 15% ao ano pela segunda vez seguida, em decisão unânime
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

EUA no radar

Ao justificar a decisão, o colegiado disse que o ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos

"O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à "imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza, diz o texto.

Também nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) cortou os juros em 0,25 ponto percentual, após cinco reuniões consecutivas nas quais permaneceram inalterados.

Com o anúncio, que ocorre em meio a pressões do presidente Donald Trumo e ataques ao Fed, os juros americanos passaram para o intervalo de 4% a 4,25% ao ano.

Juros reais

Com a manutenção da Selic em 15%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,51%, segundo ranking do site MoneYou. O País está atrás apenas da Turquia, com 12,34%. A Rússia aparece no terceiro lugar, com 4,79%. Depois, figuram no ranking Colômbia (4,38%) e México (3,77%).

O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil - que não estimula, nem deprime a economia - é de 5,0%.

Inflação

O comitê manteve sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim do primeiro trimestre de 2027 em 3,4%. Esse se tornou o horizonte relevante da política monetária na última reunião do colegiado, em julho.

A projeção continua acima do centro da meta, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no relatório Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC. Hoje, as medianas indicam que a Selic estará em 15,0% no fim deste ano e vai cair a 12,38% no fim de 2026.

A cotação do dólar usada pelo comitê em suas projeções caiu de R$ 5,55 na última reunião, de julho, para R$ 5,40 agora. A mediana do Focus para o IPCA de 2025 passou de 5,09% na reunião anterior para 4,83% agora. Para 2026, foi de 4,43% para 4,30%. Para 2027, passou de 4,0% para 3,90%.

A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2025 passou de 4,9% para 4,8%, ainda acima do teto da meta, de 4,50%. A estimativa para 2026 se manteve em 3,6%.

Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a subir 2% ao ano posteriormente.

Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou a sua projeção para a inflação de preços livres em 2025 (5,1% para 5,0%), manteve em 3,5% para 2026 e no primeiro trimestre de 2027, em 3,3%. A projeção para os preços administrados passou de 4,4% para 4,3% este ano, de 4,0% para 3,8% no próximo e de 3,9% para 3,8% no horizonte relevante.

Estadão
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