Conflito no Oriente Médio pode desacelerar avanço do comércio mundial em 2026, diz OMC
Cenário de deterioração pode melhorar se a guerra terminar rapidamente e o crescimento dos gastos com IA continuar, afirma organização
O conflito no Oriente Médio pode reduzir o crescimento do comércio mundial, caso os preços de energia permaneçam elevados e possivelmente pressionem o fornecimento de alimentos e o comércio de serviços devido a interrupções em viagens e transportes, avalia a Organização Mundial do Comércio (OMC) no relatório de Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global, publicado nesta quinta-feira, 19.
Para a OMC, o cenário de deterioração do comércio pode melhorar se a guerra entre os EUA e o Irã terminar rapidamente e o crescimento dos gastos com a inteligência artificial (IA) continuar.
A organização projeta que o crescimento do comércio global de mercadorias desacelere para 1,9% em 2026, ante 4,6% em 2025, e acelere novamente a 2,6% em 2027. O avanço do comércio de serviços deve diminuir para 4,8% em 2026, após expandir 5,3% no ano passado, e acelerar novamente para 5,1% em 2027. Juntos, o comércio de bens e serviços deve avançar 2,7% em 2026, ante 4,7% em 2025.
O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) global deve moderar de 2,9% em 2025 para 2,8% em 2026, mantendo o patamar em 2027, de acordo com a OMC. No entanto, um possível cenário em que os preços do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) permaneçam elevados ao longo de 2026 pode reduzir 0,3 ponto porcentual (pp) da previsão para o PIB este ano.
Para a organização, consequentemente, isso pode significar um corte de 0,5 pp da previsão de comércio para este ano e até 1,0 pp para regiões dependentes de importações de energia. Isso pode fazer com que os volumes de comércio de mercadorias cresçam apenas 1,4% no cenário de preços altos de energia. O comércio de serviços também cresceria a um ritmo mais lento de 4,1% em 2026.
A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que a perspectiva reflete a resiliência do comércio global, mas que a previsão está "sob pressão" do conflito no Oriente Médio.