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Haddad deixa Fazenda para se candidatar em SP, e Durigan assume com desafios no ano eleitoral

19 mar 2026 - 12h09
(atualizado às 13h02)
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa nesta quinta-feira o comando da pasta após mais de ‌três anos de uma gestão que promoveu mudanças em regras fiscais, combateu benefícios tributários e aumentou impostos com uma defesa de maior taxação aos mais ricos e alívio aos mais pobres, deixando agora o posto para seu atual secretário-executivo, Dario Durigan.

Secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia em Brasília
13/01/2026
REUTERS/Adriano Machado
Secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia em Brasília 13/01/2026 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

A saída do cargo foi confirmada por Haddad em evento em São Paulo nesta quinta, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também anunciou Durigan como novo ministro da Fazenda.

Em outro evento à noite no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP), Haddad deve apresentar, ao lado de Lula, sua candidatura ao governo de São Paulo nas eleições deste ⁠ano, com a missão de dar um palanque sólido no Estado ao presidente em sua campanha à reeleição.

Atual número dois da Fazenda, Durigan assumirá com um Orçamento ‌comprimido por gastos obrigatórios e terá como desafio negociar a agenda econômica com um Congresso Nacional acuado pelo escândalo de fraudes envolvendo o Banco Master e em meio ao período eleitoral, que historicamente leva o Legislativo a reduzir o ritmo das atividades e resistir a medidas de ajuste fiscal, em ‌geral impopulares.

Ele assume o comando da pasta em um momento de maiores incertezas diante do ‌conflito militar no Oriente Médio, que tende a pressionar a inflação com a alta de preços do petróleo e levou o governo a adotar ⁠medidas tributárias de socorro, com o cenário complexo ampliando a cautela do Banco Central em seu plano de cortar os juros.

Entre as pautas prioritárias negociadas por Haddad e que seguem pendentes, estão a limitação de supersalários no serviço público, reforma da previdência de militares, regulamentação econômica de "big techs" e normas microeconômicas.

A Fazenda também deverá enviar ao Congresso projeto que regulamenta o novo Imposto Seletivo, criado na reforma tributária sobre o consumo para incidir sobre bens e serviços nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Com formação em Direito, Durigan atuou na Advocacia-Geral da União, Casa Civil e Prefeitura de São Paulo, e foi ‌diretor de políticas públicas do WhatsApp antes de assumir o posto na Fazenda em 2023 no lugar de Gabriel Galípolo, que deixava a pasta naquele momento para ‌ser diretor do Banco Central.

Responsável pela interlocução com ⁠as secretarias da Fazenda e organização dos ⁠trabalhos da pasta, o secretário-executivo exerceu papel relevante nas negociações de medidas econômicas com o Congresso, também tendo se aproximado de Lula.

Haddad, por sua vez, deixa o cargo ⁠para concorrer nas eleições ao governo de São Paulo após afirmar repetidas vezes que não tinha ‌vontade de se candidatar a um cargo público ‌e enfatizar que desejava colaborar com a campanha pela reeleição de Lula. Essa será sua segunda candidatura ao governo do Estado, após ter sido derrotado em 2022 por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição.

Haddad também perdeu a eleição à Presidência, em 2018, e não conseguiu se reeleger à prefeitura de São Paulo, em 2016, após ter sido eleito para o cargo quatro anos antes, na primeira vez que disputou ⁠um cargo eletivo.

À frente da equipe econômica do governo do presidente petista, Haddad iniciou a articulação de medidas ainda durante a transição de governo, no fim de 2022, quando conseguiu aprovar uma emenda constitucional que liberou gastos sociais e investimentos por fora das normas fiscais.

Já na cadeira de ministro, em 2023, ele propôs a substituição da regra do teto de gastos públicos, que vigorava desde o governo do presidente Michel Temer, por um novo arcabouço baseado em metas fiscais e que permite um crescimento real dos gastos, desde que em ‌ritmo menor que o das receitas.

TRIBUTOS

Diante da alta dependência de medidas arrecadatórias para que o regramento se sustentasse, característica criticada por agentes de mercado, o ministro colocou o combate a benefícios tributários como prioridade de sua gestão, propondo também uma série de elevações de impostos.

Nos mais de três anos ⁠de atuação, ele conseguiu aprovar cortes da desoneração da folha salarial de setores da economia e de benefícios ao setor de eventos criados durante a pandemia e, mais recentemente, uma redução linear de incentivos tributários não constitucionais.

Sob seu comando, ainda foram criadas ou elevadas taxações sobre combustíveis, apostas esportivas, compras internacionais, fundos exclusivos e offshore, veículos elétricos, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP), entre outros.

Em uma agenda mais modesta de corte de gastos, foram revisados critérios de benefícios sociais e do abono salarial. Também foi criada uma trava para o crescimento real do salário-mínimo, que havia sido turbinado anteriormente pelo próprio governo de Lula.

Haddad também esteve à frente das negociações da reforma tributária sobre o consumo, aprovada após décadas de discussão, e da reforma do Imposto de Renda, que isentou quem ganha até R$5 mil mensais -- uma promessa de campanha de Lula -- e estabeleceu uma taxação mínima de até 10% sobre pessoas com renda mais elevada.

Na gestão do ministro, a dívida pública do país cresceu -- de 71,4% do PIB em janeiro de 2023 para 78,7% do PIB em janeiro deste ano -- e, segundo projeções do Tesouro Nacional, continuará em trajetória de alta nos próximos anos. Haddad, no entanto, mantém a defesa do arcabouço para as contas públicas e atribui o movimento principalmente ao nível de juros no país, que eleva o custo de rolagem da dívida, e também à herança fiscal que recebeu do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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