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Conflito no Irã aumenta chances de Banco do Japão adiar aumento dos juros em março, dizem fontes

3 mar 2026 - 08h53
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A recente volatilidade do mercado provocada pelo conflito ‌no Oriente Médio aumentou a chance de o Banco do Japão adiar o aumento dos juros em março, segundo fontes, já que os formuladores de política monetária precisam de mais tempo para avaliar o impacto sobre a economia.

O único fator que poderia levar o Banco do Japão a aumentar as taxas em sua reunião de 18 e 19 de março seria ⁠uma queda acentuada do iene, que já foi afetado pelos ataques dos Estados Unidos ao Irã, ‌aproximando-se da marca importante de 160 devido ao forte apetite dos investidores pelo dólar como moeda segura.

Mas o limiar para um aumento dos juros em março aumentou depois que ‌o agravamento do conflito no Oriente Médio abalou os mercados ‌financeiros e impulsionou os preços do petróleo, colocando em dúvida as perspectivas de ⁠recuperação de uma economia fortemente dependente do combustível importado.

"Ficou difícil para o Banco do Japão aumentar os juros", disseram três fontes familiarizadas com o pensamento do banco central japonês, que delibera sobre as implicações da nova crise geopolítica na política monetária.

O Banco do Japão precisaria de tempo para analisar como seus aumentos de juros anteriores e o conflito no Oriente Médio afetam ‌a economia e os preços, disseram duas outras fontes, acrescentando que o impacto será ditado pela ‌duração da guerra.

Embora o aumento ⁠dos preços do petróleo ⁠possa elevar a inflação subjacente, ele poderia prejudicar a economia e justificar um adiamento dos aumentos dos ⁠juros se o conflito persistir, disse uma das ‌fontes. As fontes comentaram sob condição ‌de anonimato, pois não estão autorizadas a falar publicamente.

Os mercados também reduziram as apostas em um aumento dos juros em março, depois que o vice-presidente do Banco do Japão, Ryozo Himino, se absteve de dar indícios claros de uma mudança iminente na ⁠política monetária na segunda-feira.

Embora o presidente do BC japonês, Kazuo Ueda, tenha deixado em aberto a possibilidade de um aumento em março ou abril em uma entrevista ao jornal Yomiuri publicada em 26 de fevereiro, ele enfatizou que qualquer decisão dependerá dos dados disponíveis na época.

A ausência de comentários favoráveis à alta de ‌juros por parte dos membros do Banco do Japão contrasta com episódios anteriores de aperto monetário, em que eles deram pistas antecipadas sobre a possibilidade de um aumento dos juros ⁠para evitar surpreender os mercados.

"Himino teria dado algumas dicas se o Banco do Japão estivesse contemplando um aumento em março. O fato de ele não ter feito isso me convenceu de que não haverá aumento neste mês", disse Katsutoshi Inadome, estrategista sênior da Sumitomo Mitsui Trust Asset Management.

"Vejo abril como o momento mais provável para o próximo aumento das taxas, especialmente se o iene continuar enfraquecendo", disse ele.

As apostas do mercado em um aumento dos juros em março caíram de 10% para cerca de 5% após as declarações de Himino, enquanto cerca de 60% veem a possibilidade de um aumento dos juros na reunião seguinte, em 27 e 28 de abril.

A maioria dos economistas consultados pela Reuters espera que o Banco do Japão aumente as taxas para 1% até o final de junho.

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