Concessões de crédito consignado privado caíram 22,5% em fevereiro, aponta BC
Taxa média de juros do modelo aumentou de 57,4% em janeiro para 59,4% em fevereiro; alta reflete adaptação de instituições financeiras à modalidade e o interesse pelo segmento
BRASÍLIA - As concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado caíram 22,5% em fevereiro, na comparação com janeiro, informou o Banco Central nesta segunda-feira, 30. O montante passou de R$ 9,216 bilhões (revisado de R$ 9,212 bilhões) para R$ 7,146 bilhões no período.
O saldo da modalidade cresceu 5,9% em fevereiro, para um total de R$ 92,506 bilhões. Os números refletem principalmente o comportamento do novo modelo de consignado privado, o Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo no fim de março de 2025.
A taxa média de juros do consignado privado aumentou de 57,4% em janeiro para 59,4% em fevereiro. O governo espera que, com o Crédito do Trabalhador, o tomador migre para linhas com taxas mais baixas. O comportamento dos juros no consignado privado, porém, tem registrado alta neste primeiro momento, refletindo a adaptação de instituições financeiras à modalidade e o interesse pelo segmento.
Rotativo do cartão de crédito
O juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu de 424,5% ao ano em janeiro para 435,9% em fevereiro.
A taxa do parcelado subiu de 194,9% para 200,2%. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, aumentou de 89,7% (revisado, de 89,6%) para 96,4%.
O Congresso definiu em lei que os juros do rotativo e do parcelado não poderiam ultrapassar 100% do principal da dívida. O teto para os juros e encargos da modalidade passou a valer em janeiro de 2024.
As taxas apresentadas pelo BC podem sugerir que os bancos estejam descumprindo a lei, mas o que acontece é apenas um registro estatístico. Para chegar às taxas anuais, a autoridade monetária extrapola o juro cobrado ao mês pela instituição financeira para o ano. Essa taxa nem sempre é efetivada, já que os consumidores normalmente ficam "pendurados" no cartão por apenas dias ou semanas.
O BC não pretende descontinuar essa série histórica, que serve como referência para mostrar a velocidade de aumento ou redução dos juros e também é um dos componentes para se chegar à taxa cobrada pelo sistema como um todo.