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Como a tecnologia garante renda extra a profissionais de reciclagem

Coletando, de São Paulo, tem conta digital voltada a esses trabalhadores; já a Cataki une catadores a possíveis clientes

22 mai 2022 05h10
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O mercado de reciclagem de materiais está, aos poucos, ganhando o apoio de aplicativos e outras ferramentas de tecnologia. Por trás dessas plataformas estão iniciativas para gerar demanda - unindo catadores a pessoas físicas e empresas -, ampliar a renda desses trabalhadores e garantir a eles a opção de receber seu pagamento de forma digital.

Uma das startups a apostar no segmento é a Coletando, sediada em São Paulo e com unidades em mais três Estados. Com pontos de coleta espalhados em regiões periféricas, a empresa possibilita ao usuário a troca de material reciclável por dinheiro, via uma conta digital. O cliente cadastrado recebe um cartão de crédito pré-pago, que também funciona para saques.

O negócio foi criado por Saulo Ricci, 38 anos, que tem formação na área de tecnologia e é filho de uma catadora. O formato inicial, estabelecido há dez anos, fazia parceria com companhias de energia elétrica para troca de recicláveis por desconto em boletos.

Com a mudança para módulo bancário, em 2018, e faturamento previsto este ano de R$ 7 milhões, Ricci pretende expandir para mais de 100 o número de ecopontos. "Entendo que a tecnologia pode provocar um impacto muito mais forte na vida das pessoas", diz o empreendedor.

Já a ONG Pimp My Carroça, de São Paulo, optou por uma ferramenta digital para promover geração de renda para catadores. Em 2017, a entidade criou o aplicativo Cataki, que oferece serviços de coleta em 1,6 mil cidades do Brasil. A plataforma já contabiliza mais de 300 mil downloads e permite ao usuário encontrar o profissional de coleta que trabalha mais próximo de sua casa.

Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Rosa, de 36 anos, toda a negociação sobre valores do serviço é feita entre o cliente e o catador, sem intermediários ou taxas. O pagamento é totalmente revertido para o profissional.

Conforme levantamento da ONG, os catadores vinculados ao aplicativo Cataki tiveram renda elevada em 64%, em média. Idealizador da tecnologia e diretor da Pimp, o ativista Mundano, de 35 anos, explica que o aplicativo surgiu de modo orgânico, com pessoas e empresas buscando indicações de profissionais de reciclagem.

Ele passou a fornecer os contatos, mas logo percebeu que precisava automatizar o processo. O desafio hoje é ampliar as soluções. "O que a gente quer agora é ir em busca de rastreabilidade, de melhores ferramentas e de inclusão digital para os catadores."

'Delivery'

Outra ferramenta de tecnologia para o segmento de reciclagem foi criada pela startup Solos, da Bahia. Com patrocínio recebido no ano passado do banco digital Nubank, a empresa lançou o Roda, sistema de "delivery" de reciclagem em Salvador.

Pelo celular, o usuário se cadastra via formulário online ou WhatsApp e agenda uma coleta, que será feita em um prazo de um a dois dias por profissionais em triciclos.

O morador não paga pelo serviço, pois toda a remuneração da equipe envolvida no processo de logística é custeada pelo projeto. Só nos primeiros três meses, segundo os idealizadores, 12 toneladas de materiais foram coletadas e destinadas à cooperativa Cooperguary.

Saville Alves, de 30 anos, cofundadora da startup, gerencia outras iniciativas de reciclagem na Solos - voltadas a grandes empresas - e diz que elas precisam de soluções voltadas à sustentabilidade. "O Roda é nossa grande aposta tecnológica, tanto na perspectiva de interface com os usuários quanto na geração de dados (sobre sustentabilidade)", diz.

Economia circular exige trabalho de longo prazo, diz especialista

Gerente executiva do grupo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), Fernanda Daltro afirma que a inovação é aliada da economia circular. No entanto, ela frisa que o compromisso com o setor é de longo prazo: "É preciso um olhar sistêmico para avaliar o custo-benefício de investir em uma novidade que trará benefícios para toda a cadeia quando for escalável."

Estadão
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