Cenário corporativo faz Bolsa ter forte queda; dólar sobe a R$ 5,18
Principal índice da B3, Ibovespa caiu 2,22%, enquanto moeda americana subiu 0,74%
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, a B3, registrou forte queda nesta quarta-feira, 9, ao fechar aos 113.580 pontos, um recuo de 2,22%. O cenário corporativo foi a principal causa da desvalorização. O dólar teve alta de 0,74% frente ao real e fechou o dia cotado à vista em R$ 5,18.
Petrobras, Vale e bancos contribuíram para a queda abrupta da Bolsa brasileira. As ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da petroleira caíram 1,86% e 1,65%, respectivamente. As ações ordinárias da mineradora encerrou com queda de 1,22%. As perdas para o Bradesco superaram 16% na sessão por conta da decepção do mercado diante do balanço trimestral do banco apresentado na terça-feira, 8. Itaú (PN -4,80%) e Santander (-5,96) também se desvalorizaram.
Líder de renda variável da Valor Investimentos, Romero de Oliveira afirma que, no quadro mais amplo, os investidores monitoram as negociações para orçamento extrateto. O Ibovespa vive em cenário mais volátil. Com o fechamento desta quarta-feira, o índice aparece abaixo do nível de encerramento de 28 de outubro, antes do 2º turno das eleições.
Outro movimento dos investidores domésticos foi a fuga para buscar refúgio na moeda americana. Isso porque nesta quinta-feira,10, será divulgado o índice de inflação ao consumidor (CPI) americano.
Sócio e líder de câmbio da Nexgen Capital, Felipe Izac analisa que o mercado está na defensiva com a expectativa de que o CPI nos EUA possa vir forte amanhã. "O dólar estava praticamente no zero a zero, mas houve uma piora significativa das Bolsas em Nova York, trazendo um sentimento de aversão ao risco no fim da tarde que enfraqueceu o real", pontua.
Izac observa que o mercado trabalha em compasso de espera pelo detalhamento da PEC da Transição e de sinais sobre a futura equipe ministerial. "O mercado sabia que um 'waiver' seria necessário qualquer que fosse o resultado da eleição. A dúvida é o tamanho e a qualidade dos gastos", afirma Izac. "Tirando esse risco político, o dólar pode cair. O Brasil é o queridinho entre os emergentes, com juro real e nominal elevado."