Carrefour quer separar unidade imobiliária de seu negócio de varejo no Brasil
Empresa seria posteriormente alvo de um IPO (oferta inicial de ações) na Bolsa; nova subsidiária já nasceria com lucro operacional de R$ 1,5 bilhão, segundo a companhia
O Carrefour Brasil anunciou nesta terça-feira, 8, que iniciou os estudos para uma separação seguida de IPO (abertura de capital) de sua unidade de negócios imobiliários. Segundo a varejista, a implantação do projeto criaria uma das maiores empresas de empreendimentos imobiliários com foco no varejo da América Latina. O fato relevante foi acompanhado de novas projeções de crescimento da operação de atacarejo do Grupo Carrefour Brasil. As informações fazem parte de um novo plano estratégico da matriz, na França.
O Carrefour tem mais de 450 ativos, entre lojas próprias, shopping centers, galerias comerciais e outros empreendimentos no Brasil. A separação da unidade de negócios imobiliários permitiria, segundo a empresa, a criação de uma nova subsidiária com mais de R$ 1,5 bilhão de lucro operacional líquido: o Carrefour Real Estate.
Expansão acelerada
O Carrefour anunciou ainda que estima ter um portfólio de 470 lojas de atacarejo até 2026. Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informou que as 200 novas lojas a serem adicionadas sobre o parque de 2022 incluem as 70 conversões do Grupo BIG já anunciadas, as 20 lojas Maxxi restantes adquiridas e uma média de mais de 25 novas lojas por ano até o fim de 2026.
"Uma aceleração significativa quando comparado a média de lojas via expansão orgânica do Grupo Carrefour Brasil de 20 lojas cash & carry (atacarejo) por ano desde 2018?, destacou a varejista.
Para os analistas do Citi, o plano estratégico de 2026 do Carrefour França implica aumento de estimativas. "Com base em nossa análise inicial, para atingir 470 lojas em 2026, considerando a conversão de 70 lojas Big para Atacadão e as 20 lojas Maxxi restantes, o CRFB teria de abrir 77 lojas orgânicas nos próximos 4 anos (37 a mais do que a estimativa do banco).
"Considerando a mesma produtividade de vendas por metro quadrado, estimamos uma receita adicional de vendas de R$ 10 bilhões em 2026, com receita bruta total da divisão de atacarejos totalizando R$ 128 bilhões (8% acima da estimativa)", escreve João Pedro Soares.