Caminhoneiros decidem não entrar em greve após medidas do governo federal
Uma assembleia que reuniu entidades representativas de caminhoneiros no litoral de São Paulo decidiu nesta quinta-feira não declarar greve da categoria, após medidas tomadas pelo governo federal que incluíram regras mais rígidas para a definição de fretes em meio à disparada dos preços do diesel no país.
A possibilidade de uma greve nesta semana dos motoristas semelhante à paralisação de 2018 vinha sendo levantada por alguns representantes do setor como forma de protesto contra o não cumprimento da Lei de Fretes Mínimos de 2018 e o aumento dos preços do combustível.
"Vamos ajustar alguns pontos divergentes com o governo, mas acredito que a tabela (de frete) da ANTT sendo seguida pelas transportadoras e não sendo descumprida vai ser um avanço muito grande para a categoria", disse à Reuters o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Luciano Santos.
A decisão da assembleia foi confirmada também pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), após o final da reunião organizada pelo Sindicam.
Mais cedo, o governo federal editou medida provisória que torna mais rígidas as regras do frete e amplia proteção a caminhoneiros. A MP reforça as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas e eleva as multas para contratantes que descumprirem o piso, que podem variar entre R$1 milhão e R$10 milhões por operação.
As novas regras também estabelecem a obrigatoriedade do registro de todas as operações de frete, permitindo à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificar e bloquear operações realizadas abaixo do valor legal.
Na quarta-feira, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou medidas para endurecer a fiscalização contra o descumprimento da regra de frete mínimo e citou grandes empresas que estão entre as que mais descumpriram o frete mínimo nos transportes no Brasil nos últimos quatro meses.
O preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subiu 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, impactando os mercados globais de petróleo. O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%, enquanto a gasolina avançou 10% e o etanol hidratado subiu quase 9%, segundo dados da ValeCard.